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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Relatos de Mulher - Não vamos aturar assédio, misoginia ou desrespeito. Vindo de qualquer pessoa, nem do presidente!


Por frases como a do presidente Jair Bolsonaro, o feminismo precisa existir e crescer cada dia mais. O representante da nação tenta parecer engraçado e informal ao se dirigir a uma mulher como se fosse um objeto sexual. Nojo define. 


             A atitude do presidente do Brasil Jair Bolsonaro não é apenas inadmissível por se tratar do presidente da república, mas sem duvida, isso torna a sua atitude ainda mais irresponsável e absurda. O Brasil é um país presidencialista, e o representante da nação tem o dever e a obrigação de respeitar as leis, e acima de tudo as pessoas.

Sabemos o quanto o machismo e a misoginia afeta mulheres todos os dias, seja qual for a sua forma de ser mulher, ser mulher ainda é um perigo para si mesmo, motivo de sexismo, desrespeito e as mais terríveis afirmações. Mas quando isso vem do alto escalão da Politica ou de qualquer representação importante, ai ferra com tudo!  Todo o trabalho de séculos em é comprometido, a todo momento precisamos reafirmar o nosso direito por respeito e igualdade.
O homem poderia falar algo sobre a profissão ou competência da profissional, ou de suas fontes, seus meios de captar a noticia e blá blá blá.
Mas não!
Eles sempre escolhem frases e ofensas de cunho sexual, não tem a dignidade de falar sobre o ser humano em si, a ideia de superioridade sugere a necessidade de sexo para calar-se!?
“Ela quer dar o furo”, ele disse. É tão escroto e repugnante, que é difícil reproduzir a frase, mas precisamos dizer ás pessoas e ao mundo que isto está errado e não mais aceitaremos isso!
Seja do presidente, do rei ou do tio da esquina. Homens não podem e não devem fazer insinuações sobre a nossa vida sexual, muito menos com sentido de ofensa, ou conotação duvidosa.
A permanência deste homem no cargo que ele ocupa é uma vergonha não apenas para as mulheres, mas para o país inteiro. São diversas atitudes inúteis e sem sentido, as suas falas não passam de um desserviço para todos que buscam um mundo mais justo.
A vida sexual de nenhuma mulher não diz respeito a ninguém!
Parem de tentar usar isso como argumento para alguma coisa.
Quando ele faz as palhaçadas dele, e não são poucas, dizemos o quanto ele é incompetente, desinformado e ridículo. Ninguém menciona o tamanho do seu pênis, a sua cara horrível, ou como deve ser péssima a sua performance sexual.
Não queremos aprender com os homens como ser inconveniente e misógino, não vamos praticar misandria (aversão á homens) a partir de suas atitudes, embora muitas vezes chegamos perto disso.
Aprenda conosco, presidente. Respeito é bom e nós exigimos!


Texto: Bia Nunes. 
Cidade: Rio de Janeiro.
Idade: 32 anos.



 


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Relatos de Mulher - Por que a depilação é um ato de auto violência?



Quando pequenininha, eu tinha como representatividade as mulheres que apareciam na mídia, seja na TV, em filmes ou revistas. Essas mulheres seguem um padrão rígido de feminilidade, que está intrinsecamente ligado ao ideal de beleza. Esse ideal vai desde o culto à magreza, cabelos longos, uso da maquiagem, e assim por diante. Mas os pelos corporais, que também são um fator importante desse ideal, parecem ser esquecidos quando o assunto “padrão de beleza” é discutido. 

Eu me pergunto, então, o porquê desse assunto ser tratado com certa naturalidade, quando existe uma evidente binaridade (mulheres sem pelo, homens com pelo) nessa questão. Considero importante, então, como mais uma ação para destruir esse ideal de beleza feminino, nos questionarmos acerca do que é a depilação feminina, descobrindo o que ela realmente representa. 

Primeiramente, o “não ter pelos” é uma imagem no coletivo social do que é a aparência de uma mulher. Ele coopera com a ideia tão difundida de uma mulher submissa e silenciada, por meio de atributos como a doçura e ingenuidade (afinal, pele sem pelos = pele de criança). Quando uma mulher se depila, sem pensar criticamente nesse ato, ela absorve essas características para si, aceitando o molde de beleza criado pelos homens. Em contrapartida, o “ter pelos” é uma imagem no coletivo social do que é a aparência de um homem. O “homem” é forte e viril, e essas características são atribuídas aos pelos. Tais imagens podem ser vistas, por exemplo, nos heróis de novelas musculosos. Dito isso, quando uma mulher passa a não se depilar e a mostrar os seus pelos, a ideia de feminilidade é imediatamente rompida. Afinal, aos olhos patriarcais, o que é ser mulher se não for para ser feminina e seguir o padrão? Vale lembrar que, enquanto para o homem a depilação é uma opção individual, seja ela estética ou não, para mulher é uma imposição e obrigação coletiva.


Ademais, a depilação, junto com o ideal de beleza, põe as mulheres em uma categoria homogênea. Segundo a regra, devem todas ter a pele depilada, e a diversidade física e genética é ignorada. Assim como o cabelo, que são literalmente pelos só que na cabeça, mulheres também têm pelos com características próprias em outras partes do corpo. Essa diversidade entre os pelos das mulheres vai desde cor, tamanho, formato ou textura. Tais características deveriam contribuir não só para a identidade visual, mas também para conhecimento e pertencimento ao próprio corpo.

Eu, por exemplo, tenho muito pelo. Eles são pretos, lisos e tem uma textura mais grossa devido ao uso contínuo de gilete ao longo dos anos. Até que aos poucos, fui parando de utilizar a gilete pelo sofrimento psicológico que ela me causava. Era como se meu corpo fosse uma floresta, meus pelos árvores e a gilete uma serra. O sentimento era de estar cortando e machucando a minha identidade. Até que os pelos (ou as árvores)  cresciam de volta. E aquela vida que estava mortinha dentro de mim, renascia.

Por isso mulheres, a depilação é um ato de auto-violência. É algo que nos é culturalmente imposto, e que aceitamos inconscientemente. Devemos nos questionar sobre os nossos pelos corporais e sobre o padrão de beleza (que dói!) imposto pela sociedade. E que, se for para se depilar, que seja por opção e conscientemente, e não por imposição. Para mim, aceitar os meus pelos foi um caminho para a auto-aceitação e o amor-próprio. Afinal, em uma sociedade que ensina uma mulher a se odiar, se amar é um ato de resistência! <3

Texto

Nome:  Malu Ramalho.

Cidade: RJ (porém, Paraibana)
Idade: 18 anos.



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