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terça-feira, 30 de novembro de 2021

A lição que fica - Marília Mendonça

 Perto de completar um mês da morte da cantora Marilia Mendonça, ainda é difícil imaginar como tudo aconteceu, o que poderia ter evitado a tragédia, e as fragilidades do viver em si. E fica difícil enxergar a lição de cada história. Foram cinco vidas, muitos planos, e diversos exemplos a seguir.



Há muitas imagens da trajetória de vida da Marilia Mendonça que nos remete a pensar que lição é possível aprender e realizar. A fragilidade evidente nos últimos momentos antes de sua partida é uma das que ainda me toca, o seu sorriso, a sua ultima refeição, tudo nos faz caminhar para reflexões diante da nossa vida. Fico a me perguntar: Como saber sobre o fim?

Quando será a nossa última refeição, a última vez que nos preocuparemos com as contas a pagar, um desejo de consumo, um problema de família... São tantas as agonias cotidianas atreladas a alegrias e realizações. Como separar o bom do ruim, evoluir e aproveitar os momentos com a intensidade que merece?

É interessante aprender isso ainda agora, e saber viver. Não pensar no ultimo dia, mas viver todos como se fossem o "ultimo" da maneira mais sadia que existe. 

Marilia é exemplo de muitas buscas, desde a carreira musical, realizações, pé na estrada, mudanças estéticas, maternidade, vivência na arte e na música. Não tem como dizer, para quem está olhando de fora, que ela não viveu intensamente os seus momentos. Seja em hábitos do dia a dia comum, ou com todo o seu glamour de artista. 

Mas nada nos "avisa" que está chegando o fim, ninguém nos diz: aproveita! Nem a última vez que vamos comer aquela saladinha na hora do almoço, muito menos a última gargalhada ou a última música cantarolada. É só mais um dia.  Sempre parece que a próxima cena virá. E creio que é proposital, ou viveríamos um caos na terra.

 

Além de artista, uma inspiração

 

Falar de Marilia Mendonça hoje transcende a questão musical, é falar de superação, sonhos, luta... A mulher é exemplo até depois que morre. Afinal, quem disse que você não pode ser feliz e realizar seus sonhos sendo mulher?

Eu não sou conhecedora de todas as suas letras, na verdade não sou muito fã de música sertaneja, mas sempre fui fã de mulheres como Marilia, que roubam o palco, a cena, e estremece a coisa toda.

Marilia está além do cenário musical porque não se trata só de música, mas de representatividade feminina, diante da sua vida, e de como é possível viver o que se tem vontade. Mulheres podem traçar um destino, e viver ele como tiver vontade de fazer isso.

 Marilia é especial. A contradição acontece entre a vida e a arte que ela canta e encanta nos palcos, em suas letras ela não tinha vergonha de expor o quanto somos vulneráveis diante das decisões do amor, por exemplo. Marilia não dizia: Deve-se ou não fazer isso ou aquilo, ela só dizia: É isso aqui que acontece, agora olha minha amiga, e veja se vale a pena seguir nessa vibe ou partir para outra!

Suas músicas não catavam como a condição social limita as mulheres, como as tornam inseguras, nem mencionava a criação de tudo isso. Ela ia para a realidade de hoje, o presente, é como um “tapa na cara” vindo daquela amiga que te gosta, quer te ver bem, e vai logo ao ponto. Em suas canções, Marilia diz o que existe do lado da mulher que está sendo traída, abandonada para que o parceiro fique no bar, ela descreve também como bate o coração de uma prostituta abandonada e descriminada por ser quem é, além da infiel, a romântica, entre outras.

 

O lado dela

 

O lado das mulheres representado por Marilia são muitos. Durante muito tempo todo o cenário musical era composto por homens, aos poucos as mulheres foram ocupando espaço, e cantando seus sentimentos, o que de fato sentia por si mesma. Mas quando falamos de música sertaneja, a demora foi maior, poucas mulheres conseguiram se introduzir e se manter, muito menos se consolidar. Não existia “simpatia” por aquilo que mulheres produziam, mas aos poucos esta realidade foi mudando.

Existe outro lado, mulheres sofrendo, pessoas que sentem e querem colocar este sentimento para fora, e até então não foram ensinadas a fazer isso. A tal “sofrência” também serviria para se libertar de algo ruim, a tal cantoria deixava as meninas mais calmas, elas se viam ali, não era sobre outras pessoas, mas sobre elas. E assim, como quem não quer nada, a vida de Marilia também não serviria de inspiração para perceber o quanto você merece por ser quem é. São possibilidades, opções que aprendemos a perceber a partir de suas mudanças e buscas, afinal, as suas transformações foram muitas, mas a sua essência permanecia ali.  

As suas letras são compostas no presente, Marilia nos faz sentir que vale a pena ser feliz, fazer o que sente vontade, ainda que, depois a gente se arrependa, e que veja ele “trocar de calçada”, ou que fique cantarolando o problema de “não casar”. Fato é que chegará o dia em que ele te mandará mensagens e você estará em turnê de shows com as amigas!  O que vale é a canção, se divertir, e ser feliz.


Fonte: Internet.  


A Partida

Infelizmente a tristeza de sua perda ainda é maior que seus ensinamentos, mas tenho certeza de que com o tempo isso irá melhorar. O simbolismo de sua partida feliz da vida, esperançosa, cuidando da voz, da saúde, acreditando no que ela merecia, sendo intensa com a vida que escolheu. Com o tempo daremos valor a estes sorrisos honestos, mesmo quando ainda não forem os últimos, nos desculparemos com as amigas, valorizaremos as emoções de estar com quem amamos, cantaremos o amor, vivendo cada pedaço que nos é possível.

Marilia voou e por lá ficou, a sua falta será tanta que chega a apertar o peito e encurtar as palavras. Ficaremos a imaginar por que tão cedo, e a torcer para que ela tenha tocado o coração de outras mulheres, que se inspirem e que tenham entendido a sua mensagem. A arte é um canto eterno.


Texto: Grazy Nazario

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Luisa Sonza - A autonomia feminina incomoda muita gente


Não é novidade ver o nome da Luisa Sonza entre os assuntos mais comentados do Twiter, e da mídia em geral. Parece que ela desperta muitos sentimentos nas pessoas, vemos homens e mulheres tentando a todo custo “cancelar” a moça como artista, e atrapalhar de certa forma a sua carreira.




As ações são direcionadas de muitas maneiras e várias tentativas de menosprezar a mulher em si vão sendo disparadas. Certa vez falaram do nudes que jogaram na rede, como se ela, a vitima fosse culpada pelo crime, e o criminoso? Ah... Acho que ninguém lembrou dele. Falaram também sobre o seu casamento com o conhecido humorista Whinderson, este que nunca deu motivos para ninguém falar dela, mas também não é respeitado, os achismos em torno dos motivos para o fim do casamento do casal seria o “motivo” para dar deslikes na música da mulher, porque ela dança de forma sensual no clip com quem faz um feat.

No entanto, não precisa ser feminista, advinha ou grande fã de estilos musicais para saber o que está acontecendo neste caso. Trata-se de uma mulher que se mostra capaz de ter uma carreira e administrar isso, tocar a sua vida da forma que acredita ser viável depois do fim de um casamento que não deu certo. Não é sobre não se importar com as pessoas, ou ser mau caráter com seu ex marido ou coisa do tipo, sororidade não é sobre fechar os olhos para atitudes erradas das mulheres apenas porque são mulheres. É sobre atacar a sua autonomia sua autonomia. 

Ser livre está além de ter um relacionamento ou não, morar sozinha, ou qualquer definição dessas por aí, ser livre é atitude, fazer o que tem vontade, por si mesma, com ou sem medo de errar, ser livre é ter este direito.

Estão usando como forma de justificativa o fato dele estar “sofrendo”, mas todos sofrem com o fim de uma união. Então diminuem o interesse dela e dizem que ela fez carreira sobre a fama dele. Mas se fosse isso, ele também não viveu e tirou proveito disso? 
Vocês acreditam que pessoas tão julgadoras e cruéis estão preocupadas com o "coitadinho", um homem adulto e cheio de recursos? Não estão o defendendo, estão a atacando! Ou ele é um pobre menino indefeso? A todo custo querem que ela se sinta culpada por tudo que não deu certo, como é possível isso?


A Rivalidade feminina é uma arma ainda usada para que poucas se libertem


Mulheres erguendo a bandeira da condenação feminina por erros que sempre perdoaram nos homens é mais que nojento, é decepcionante. Não façam isso, nenhum deles faria isso por você. Somente quem já passou por uma separação sabe o que é ouvir o quanto você precisa continuar a tentar fazer dar certo, como se coubesse somente a você cultivar o bem estar e a relação em si.

As pessoas não podem continuar a querer que carreguemos o mundo sobre nossos ombros, já está muito pesado, não é justo nem saudável. Homens são tratados como crianças quando precisam reconhecer seus erros e condutas, mas são livres e compreendidos para seguir o caminho que escolherem. Enquanto mulheres são julgadas e desprezadas quando tomam as rédeas da própria vida, não são respeitadas como capazes, e eternas crianças á decidir. Isto não será mais assim, não aceitaremos, e não vamos retroceder. Somos mais que um casamento para agradar a mídia ou qualquer um que se ofenda.

Luisa carrega opinião própria, apoia diversos movimentos, mesmo não se enquadrando na maioria deles, ou seja, é uma mulher consciente de seus privilégios, e se dispõe a colaborar com outros movimentos. Como artista usa a sua voz a favor da liberdade e libertação feminina. Ela por si só é uma bandeira do quanto somos atacadas quando resolvemos não obedecer.

O nome da Luisa esta a todo momento em pauta porque estão tentando coloca-lá naquela caixinha mentirosa e imoral da moralidade para fingir que o mundo não mudou, e a mulher não tem poder sobre a própria vida, mas advinha? Somos fortes, imensas e intensas. O voo da Luisa é o salto de que todas somos capazes, e temos o direito de ir e vir.

A música não está sendo atacada, o clip ou a sua carreira, é a ação por si só. Mulheres tenham empatia, a representatividade é a ação de cada uma de nós quando resolver tomar decisões a partir das suas prioridades, e se colocar em primeiro lugar como os homens sempre fizeram. Tenham pelas mulheres a mesma consideração que carregam pelos homens, mesmo sem eles nunca terem tido isso por vocês.

Não precisa gostar dela como artista, ou cantora, mas não menospreze a sua coragem, nem torne mais difícil a caminhada de outra mulher, seja uma mulher que levanta outras.

sábado, 27 de agosto de 2016

Filme - Frida Kahlo

Sobre o filme

Quando se trata de uma história a partir de uma personagem real é comum ter alguns cuidados, se já conhecemos a biografia a tendência é de ficar ainda mais critico diante da produção cinematográfica, me senti assim diante de Frida. O filme, como era de se esperar relata de forma sucinta algumas impressões sobre a pintora mexicana. A sua vida intensa fica clara, o acidente ainda muito jovem, como iniciou na pintura, e é claro, o seu amor por Diego Rivera. 
O filme é muito bom, eu acredito que poderia ter uma pitada a mais da arte de Frida propriamente dita, claro que devemos considerar que se trata de sua vida e não apenas da arte. 
Vale a pena conferir e se emocionar com esta mulher forte, e uma das pioneiras entre as artistas do México. 

Texto por: Grazy Nazario.
  



Frida é um filme do gênero drama biográfico, realizado por Julie Taymor. O roteiro é baseado em livro de Hayden Herrera, e retrata a vida da pintora mexicana Frida Kahlo.
Data de lançamento: 25 de outubro de 2002 (EUA)
Direção: Julie Taymor.






sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Exposição Frida Kahlo, venha apreciar, e se emocionar!


A arte é realmente algo transformador, claro que eu sou suspeita ao falar de arte ou sobre as mulheres e suas batalhas, assuntos estes que estão em mim por natureza, mas tentarei ser o mais imparcial possível para descrever como é possível experimentar e vivenciar uma exposição tão grandiosa quanto a de Frida, e das outras artistas mexicanas, igualmente importantes e grandiosas na exposição – Frida Kahlo  - conexões entre mulheres surrealistas no México.





Primeiramente é importante salientar que Frida não se considerava uma artista surrealista, “pinto a minha vida, e não os meus sonhos”. A partir desta declaração já é possível conhecer um pouco sobre a personalidade da artista que teve uma vida marcada por seu talento, mas também por seu comportamento “fora do comum” para a época, (na verdade, pouco diferente dos dias atuais), mas ainda assim não se escondia de suas fraquezas, conservando sua autenticidade.

Frida teve a sua vida marcada por problemas relacionados à sua saúde, ainda muito jovem foi vitima de um acidente que a deixou terrivelmente debilitada, completamente imóvel, e apesar de ter referencias artísticas por parte da família, foi neste período que se conheceu como artista. A arte a libertou, na verdade foi Frida quem libertou a sua mente para arte, e assim ambas se encontraram, e se tornaram intimas.

Apesar de ser considerada uma mulher forte, feminista e até revolucionaria, Frida teve um romance quase “eterno” com o revolucionário e também pintor Diego Rivera, o qual também está retratado em varias de suas obras, a intensidade é uma de suas marcas, e o amor inserido em diversas de suas telas e de formas variadas. Mas é claro que este fato em nada tira os títulos citados acima, na verdade a deixa ainda mais próxima disso, pois a torna humana, real, transita com verdade pela vida transformada em arte.

No entanto, Frida não se resume apenas em uma artista plástica de infância difícil e problemas de saúde, que retrata a sua vida em telas ou expressões que se tornaram eternas. Frida é o retrato da vontade de ser grande, e se tornar grande apenas por ser o que é, aquilo que se tem vontade.

Diante disso, o que mais emociona ao ver os seus originais, e sua qualidade artística, suas cartas de amor à Diego, sua decepção após a traição da irmã e do marido, o seu perdão a apenas um dos traidores, no caso ele, a sua grande vontade de ser mãe e o fato disso jamais ter sido realizado, a ousadia ao ser amante de um refugiado, entre tantas outras situações vivenciadas e retratadas pela artista. Dentre tantos motivos, cores, fatos e amores, aquilo que me impressiona e me arrepia, é a verdade... A verdade esta na sua pintura, no seu olhar e na sua historia.

Frida era apenas uma mulher, e não foi apenas uma mulher! Pode parecer embaraçoso, mas não é, Frida era como nós, eu e você, mas além de ser de “verdade” teve grandes vontades e realizou muitas, por varias vezes fora “condenada” por seus atos, e em outras aplaudida, errou e acertou, era forte e frágil em escalas de extremidades,  ela ousou acontecer, e ainda acontece, e estará para sempre na historia das artes e no legado das grandes mulheres.

Frida é sim um grande exemplo de mulher, assim como as outras artistas, Maria Izquierdo, Remédios Varo, Lenora Carrington entre outras artistas mexicanas que também se destacam com belíssimas obras, as mulheres do México estão de parabéns,   reflexão garantida, grandes conhecimentos e emoções os aguardam no instituto Tomie Otake, não percam!

Texto por: Grazy Nazario.

A exposição acontece até o dia 10 de janeiro de 2016, a cidade de São Paulo, "Frida Kahlo - conexões entre mulheres surrealistas no México". A mostra desembarca no Instituto Tomie Ohtake.


Até o dia 21 de outubro permanecem os dois períodos já divulgados: das 11h às 15 e das 16h às 19h. Os visitantes que já têm ingressos comprados para depois do dia 21 de outubro devem considerar o período indicado no ingresso. Em caso de dúvidas, entrar em contato com a Ingresse.com pelo email contato@ingresse.com ou telefone (11) 3004-6111.

Mais informações:
http://www.institutotomieohtake.org.br/programacao/exposicoes/frida-kahlo/







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