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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O Rei da Casa - Crônica

Milla abre a porta empolgada.

- Chegou na hora do brinde! – Ela sorri. – Eu sei que não podemos nos abraçar, mas como é bom te ver.

- Oi meninas! – Responde Isadora com certo desanimo. – Gente, podem abaixar um pouco o som? – Ela senta no sofá.  

Bella, Flor e Milla arregalam os olhos:

- Nossa, que ânimo em plena sexta-feira. – Comenta Flor.

- Eu sei... – Isadora suspira. – Tive um plantão daqueles. Esta covid19 quando não mata de um jeito, ferra de outro.

- Imagino, amiga. Olha estávamos todas de máscara, só tiramos agora para o brinde. Não dá pra beber de máscara. – Disse Milla enquanto riu. 

- Passei em casa pra tomar banho, não queria vir direto do hospital, mesmo já infectada e curada preciso evitar transmitir os vírus de outra forma.

- Foi bacana da sua parte vir, mesmo que um pouquinho. – Diz Bella. – Agora que as coisas estão mais ou menos voltando ao normal... - Fase laranja, quase amarela. - Ela ri sem jeito. - Era importante ter este momento, não comemoramos o aniversário de ninguém.

- Eu também estava com saudades. – Diz Isadora. – Mas passei em casa e me aborreci. É muito louco precisar brigar por certas coisas.

- O que aconteceu? -  Pergunta Milla. – Segura este copo, relaxa e nos conte tudo!

- É o meu filho.

- O que tem ele? – Pergunta Bella.

- Ele não quer colaborar com nada. Antes eu já fazia tudo, mas agora a minha sobrinha esta passando uns dias em casa, e pedi pra ela fazer algumas coisas.

- E o que tem isso? – Rebateu Flor. – Estranho precisar pedir isso para o seu filho, só mora vocês dois na mesma casa, pensei que ele fazia o básico.

- Muito chato fazer coisas de casa! – Milla revira os olhos. – Ainda bem que moro com minha mãe.

- Isto não diminui em nada sua responsabilidade, minha filha! – Disse Bella. – Se você faz a sua mãe de empregada ta igual o filho da Isadora, só que pior, porque é adulta!  

- Não acredito que estou ouvindo isso! – Flor bateu o copo na mesa e foi até a cozinha. Voltou com uma latinha de cerveja na mão.  – Pelo amor de Deus, em pleno século XXI você ta sofrendo porque seu filho não quer ajudar, ou melhor, fazer a parte dele nos afazeres domésticos. É sério isso?

Isadora fica sem graça, e olha para as amigas.

- Você nunca ensinou isso a ele? Prefiro não falar sobre a Milla, porque se fizer isso serei obrigada a brigar com ela!

- Calma, gente! – Milla riu. – Eu pago uma diarista super bacana, e ajudo também em casa. Só disse que era chato.

- Disso todo mundo sabe Milla. – Responde Bella. – Mas a gente sabe como você não é fã de fazer muitas coisas.

- E quem é? – Responde Milla irritada.

- Eu! – Diz Isadora prontamente. – Eu sempre fiz tudo sozinha. Nunca pedi nada pro meu filho, dava pra eu fazer eu fazia. E ele é homem, vocês sabem que eles não têm muito jeito pra fazer coisas de casa.

- Pelo amor, que papo mais anos 50! AFFFFFF – Disse Flor e revirou os olhos. – Meus ouvidos estão sangrando!

- Não exagera com a Militância Flor! – Isadora virou um copo cheio de cerveja. – To ficando mais brava com vocês do que com meu filho.

- A questão é que é mais fácil fazer do que ensinar. Ok.  Mas e se o seu filho fosse uma menina, você ensinaria ou não? – Pergunta Bella.

- Mas ai não tem comparação né, gente! – Insiste Milla. – A mãe da gente já manda a gente fazer tudo desde pequena. Acho que por isso odeio. – Milla gargalha.  

- Como que não tem comparação! – Flor se exalta. – Você aprendeu desde pequena, seria a mesma coisa caso fosse um menino.

- Isso é o que a gente queria! – diz Milla.

- Sim, por isso mesmo temos que fazer. Eu não tenho filhos, mas isto está claro pra mim. Precisamos passar valores diferentes do que tivemos para meninos e meninas, ou nada vai mudar.  

- Você odiar fazer estes serviços é só mais um exemplo de que isso não tem nada a ver com gênero. – Insiste Bella.

- Mas é que eu sempre trabalhei e estudei... – Resmunga Milla.

- Milla, se for assim ninguém tem tempo de fazer nada, mas alguém precisa fazer! – Insiste Flor.

- Ah gente, mas agora ele já ta moço. – Resmunga Isadora. – O problema foi esta pandemia, eu levava muito bem as coisas porque era só nós dois. Agora parou a escola e todas as coisas possíveis, e eu to trabalhando feito uma louca no hospital...

- Não é possível, você quer viver como se o seu filho fosse o rei da casa! – Flor se irrita. – Eu não agüento manter um bom humor com uma fala dessas.

- Calma flor! – Pede Bela. – Falar assim não adianta nada, só deixa ela mais nervosa.

- Nossa gente, pra que eu fui comentar do meu cansaço. – Isadora respira fundo. – Só queria relaxar e aproveitar que amanhã é minha folga.

Isadora levanta a vai ao banheiro.

- Caramba meninas, vocês pegaram pesado hoje hein! -  Reclama Milla e vai atrás da amiga no banheiro.

Bella e Flor se olham.

- Nossa, ainda não me acalmei. Eu não me conformo que a pessoa queira ser empregada, por isso tem uma par de boizinho se achando pra cima da mulherada. – Suspira Flor. – Querendo tratar mulher como empregada!

- Eu sei Flor. Mas ela não enxerga assim, fica calma, não precisa brigar também, né. – Diz Bella.

- Dá vontade é de tacar foco nesta macharada folgada!

- Mas ele tem 17 anos!

- Sim, e logo terá 20, e 21, 24, 32.... E vai neste ritmo, “alguém faz por mim”.

- Calma, pode ter salvação.

Flor suspira.

- Eu acho que estou estressada mesmo! – Ela ri. – Muito tempo de quarentena e descobrimos que nossa amiga está se fazendo de escrava e nem enxerga, é problema viu.

Milla e Isadora voltam.

- Meninas, eu vou embora. – Diz Isadora com a voz ligeiramente mais calma.

- Não precisa ir Isadora. - Diz Bella. – Pegamos pesado. Vamos ficar de boa, não é Flor? – Bella olha de canto de olho para a amiga.

- Sim. – Responde Flor a contragosto. – Desculpa, senta ai e fica de boa.

Isadora senta novamente.

Flor bebe uns goles de cerveja, observando a amiga.

- Permita-me dizer mais uma coisa? – Flor sorri. – Mesmo se você não permitir eu vou dizer. - Ela afirma em tom descontraído. 

- E a novidade, Flor? – Diz Milla.

- É que assim.... Precisamos mudar está visão de que as mulheres precisam fazer tudo sozinhas. Por que temos que carregar o mundo nas costas? Reclamamos na internet sobre as atitudes dos homens, e não exigimos que nossos filhos arrumem a cama?

- Você nem tem filho, Flor! – Ironiza Milla.

- Eu sei Milla. Mas você entende o que eu estou falando? – Flor passa as mãos nos cabelos. – O mundo vive uma pandemia louca, muitas pessoas morreram e continuam a morrer. A nossa amiga trabalha na linha de frente contra a doença, chega cansada, e não tem o apoio da própria família. O que ela estaria passando como valores ao filho?

- Isso é verdade. – Diz Bella. – E se algo acontece com ela?

- Sim, eu fiquei doente. E alguém foi pra minha casa, o meu filho ficou perdido.

- Ele não é mais uma criança, se algo acontecer com você, ele precisa ter noção do que é preciso fazer, em outros sentidos também. – Completa Flor com a voz mansa. – Você pode fazer tudo, se assim escolher. – Quem sou eu pra dizer o que você deve fazer?

- Uma feminista do caraio! – Riu Milla. – Mas isso é verdade.

- Eu sei, mas não é fácil mudar hábitos. - Lamenta Isadora. 

- Isso não é mesmo Isadora. Mas não é impossível. – Bella abre um sorriso. – E não é só por você, mas por ele também.

- Isso é verdade. E também o que você vai deixar para o mundo. – Mães super protetoras são péssimas.

Isadora torce o nariz e a boca.

- Mas você não se contenta neh Flor!

- Jamais! – Ela sorri. – Pra mudar precisa fazer diferente. Eu nunca imaginei que veria aquele menino tão lindo sendo acostumado assim, nessa vida mansa.

- É a idade também. – Ameniza Bella. – Os hormônios e tals.

Milla riu.

- Na minha época os hormônios faziam outra coisa.

Todas riram.

- Posso perguntar mais uma coisa?

- Ai meu deussssss – Grita Isadora simulando desespero. – Eu já entendi sobre os direitos iguais e tudo mais, você tem toda razão, Flor! Agora deixa eu tomar essa cervejinha e ouvir este som gostoso porque eu quero relaxar.

- Ah sim. – Flor riu. – Relaxa sim, e depois vamos sortear quem vai lavar a minha louça lá em casa!

Todas olharam Flor.

- Ta doida!?

- Não! Kkkkkkkk – É que como eu conseguir fazer você dividir o seu serviço de casa, todas vocês podem dividir comigo!


                                                                                                                                     FIM


Texto: Grazy Nazario. 


Créditos da imagem: Site "Pra ser charmosa".

Para conhecer mais sobre as meninas Isadora, Milla, Flor e Bella, ou seja, as "Mulheres de Poder". 😉

Link:  https://mulheressdepoder.blogspot.com/

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Encontro online - Mulheres de Poder

                                           

                                                                 Iniciando a reunião...


Milla entrou na sala...

Isadora entrou na sala...


- Como é bom ver vocês. – Diz Milla emocionada.

- Linda! – Isadora grita e bate palmas. – Mesmo distante está muito bem.

Flor entrou na sala...

 

- Oi meninasssss. Dificil fazer está reunião, mas deu certo. – Diz Flor.

- Que cabelo é este Flor? – Milla começa a rir. – Você não penteou nem o cabelo!

- Não tive tempo Milla, não enche. – Flor balança a cabeça.

“Bella entra na sala”

 

- Saudades de todas vocês! – Diz Bella. – E ai o que vocês têm feito?

- Nada! – Gargalha Milla. – Eu to com ranço, e de férias do trabalho.

- Vixe, pois eu estou trabalhando muito. – Responde Isadora. – Doença infeliz. Tem dias que parece que vou deprimir.

- Caramba. – Diz Bella. – Deve ser muito ruim estar no seu lugar.

- Nem queira saber. – Responde Isadora. – Mas vamos falar de coisas boas, todas estamos bem.

- Sim! – Diz Milla. – Você já está recuperada mesmo?

- Sim, agora estou. – Isadora une as mãos e olha para cima. – Graças...

- Ficamos muito preocupadas com você. – Diz Flor- Mesmo falando sempre pelo whats, não é a mesma coisa que ver a pessoa.

- Não está sendo fácil pra ninguém. – Afirma Bella.

- E você parou de sair Milla? – Pergunta Bella

Milla começa a tossir.

- Eu não acredito que você está saindo? – Diz Isadora.

- Mas eu não estou saindo. – Insiste Milla.

- Mas outro dia liguei pra você e sua mãe disse que você tinha ido no Flavinho.

- Ahhhhh. Mas ir no Flavinho não é sair, eu só fui lá pra transar, já estava meio louca, tanto tempo em casa e nada de sexo.

- Como assim Milla, o Flavinho está ficando em casa? – Pergunta Bella.

- Não sei, ele disse que sim, e está trabalhando em home office.

- Como assim não sabe? – Diz Isadora gargalhando. – Ainda bem que não estamos ao vivo. Eu tenho vontade de te expor e cancelar você na internet. 

- Milla você nunca ouviu falar de masturbação? – Diz Flor fazendo gesto com a mão enquanto coloca um vibrador na frente do seu computador.

As amigas começam a gritar, rir e bater palmas.

- Que delícia! – Grita Bella gargalhando.

- Isso ta limpo, Flor?

- Não, eu acabei de usar! – Flor se diverte. -  Kkkkkkk

- Isso explica o cabelo bagunçado. – Brinca Isadora.

- Mas isso não é a mesma coisa, gente! – Ri Milla enquanto bate palmas. – Com outra pessoa tem carinho.

- Ai meu deus! Lá vem ela com o “afeto”. – Flor sacode o vibrador na frente da câmera novamente. – Você ta muito romântica, Milla.

- Romântica eu sempre fui. Nesta pandemia eu to é carente! – Resmunga Milla.

- Exagerada! – Diz – Isadora.

- Exagerada sim, Milla. Não precisa furar a quarentena pra transar com seu ficante.

- Gente, a coisa tava feia!

- Milla, você pode fazer igual eu, sexo virtual! – Afirma Flor com ar de satisfação.

- Mais essa agora! – Milla ri. – Você é doida!

- Você não tem o que fazer na pandemia e inventa né, Flor. – Diz Bella.

- Meninas, eu tô trabalhando super pouco nesta pandemia, os artistas são os que sofrem primeiro quando as coisas param assim do nada! – Flor revira os olhos. – Eu preciso fazer coisas novas ou fico deprimida! E sexo virtual é antigo, vocês que estão atrasadas! – Flor gargalha.

- Conta isso Flor, como assim sexo virtual? – Pergunta Isadora interessada.

- Sério que vou ter que ensinar isso pra vocês. – Flor mostra o vibrador “verde limão”. – Então... Eu conhecia ele, daí a gente ficou conversando por telefone e deu tesão...

- Flor, não é isso que a gente quer saber! – Diz Bella rindo.

- E o que é?

- Você fez uma vídeo chamada e ficou gemendo com o cara, beleza. – Bella coloca a camiseta na cabeça. – Você ficou nua pra este cara? Tipo nudes!

- Lógico! – Ela ri. – Nem me lembra, muito bom!

- Você é doida, só pode! – Diz Isadora. – Flor, e se este cara te filma e vende as suas imagens para algum site pornográfico? Ele é de confiança?

Flor fica pensativa.

- Olha eu não sei se posso dizer se ele é ou não confiável, mas se ele fizer isso é um idiota e mau caráter, e não vou mais transar com ele. Mas se ele for esperto faremos mais vezes, e depois da pandemia pessoalmente, é claro!

- Flor você é sem noção! – Afirma Milla indignada. – Se este cara vende as suas imagens, imagina a vergonha.

- Vergonha pra ele né, Milla! Isto seria crime digital. E outra coisa, eu tiro a roupa toda hora no teatro, não tenho problema com nudez.

- Mas é muita intimidade pra expor assim! – Diz Milla preocupada. – Eu tenho medo.

- Medo deve ter ele de cometer um crime! A gente precisa parar de culpar a vítima em casos assim. Ninguém pode controlar o que outra pessoa vai fazer, mas se eu exponho ele, eu estaria errada.

- Mas em casos assim nada acontece com os homens, e eles ainda ficam com fama de predador. – Afirma Isadora.

- Mas isto acontece porque ainda tem falas como estas, gente. – Diz Bella convicta – A Flor tem razão. Se ela sentiu prazer, gostou de “estar” com o cara e ambos estavam em comum acordo, não tem porque ficar preocupada com nada disso. E se ele usar as imagens dela pra cometer um crime deve ser o culpado pelo crime, e não ela!

- Graças aos céus alguém me entende. – Flor levanta as mãos. – É isso, meninas! O que é feito em comum acordo não deve ser condenado, mas quando alguém quebra este acordo deve ser denunciado e pronto.

- Mesmo assim é bom ter cuidado, Flor. – Diz Isadora. – Este povo é doido.

- Eu sei. Mas foi sexo seguro! – Flor ri. – Seguro em muitos sentidos desde DST, gravidez e covid 19!

- Você é uma palhaça mesmo!

- Saudades de vocês, meninas! – Diz Isadora. – Você está certa Flor, é melhor fazer isto, que se arriscar em pegar covid.

- Pronto! Já vi que fui condenada. – Responde Milla emburrada. – Mas nem adianta, isso de sexo virtual não dá certo pra mim.

- Ninguém vai te condenar não, maluca! – Todas riem. – Mas não vai poder ir no nosso encontro pessoalmente. – Diz Bella.  

- Desgraçado! – Grita Milla com o celular na mão. – Não vou mesmo!

- Por que? – Pergunta Isadora.

- Acabei de ver os stories do Flavinho, ele está numa festa! Imbecil.

- Isolamento nos próximos quinze dias! – Diz Isadora rindo. – E peça dicas para a Flor, você vai precisar!

-Simmmmm!

FIM DA CHAMADA


Imagem: Internet. 


Texto: Grazy Nazario. 

 

terça-feira, 8 de maio de 2018

A Graduada



Na mesa do bar.

- O que aconteceu Milla, por que ontem me ligou chorando? – Perguntou Flor.
- Nem sei como começar. – Ela respirou fundo. – Você jura não brigar comigo?
- Não começa a choramingar garota! – Respondeu Isadora se intrometendo.
- Flor, eu não vou suportar ter passado por tudo aquilo, e você ainda brigar comigo.
- Ta, eu prometo. – Disse Flor revirando os olhos.
As três moças se ajeitaram em suas cadeiras.
- Vocês se lembram de que eu estava conversando com aquele cara?
- Qual? – Perguntou Flor.
- O Carlos, o Joaquim, ou o Ricardo!? –Questionou Isadora, enquanto olhava as unhas.
- Credo Isadora! Quem ouvir você falando assim diz que sou uma devoradora de homens!
- Não é nada disso Milla! Eu só estou confusa mesmo. Lembra, estou desatualizada.
- É verdade. – Respondeu Milla contrariada. - Mas eu estou falando do Felipe!
Isadora gargalhou. Flor a encarou, e ela engoliu o riso.
- Eu fui ontem ao motel com ele, resolvi desobedecer a regra dos três encontros.
- Você sempre desrespeita alguma regra! – Respondeu Isadora.
- Eu nunca entendi de onde você tirou essa regra louca! – Flor respirou fundo.
- Então gente, mas não tem nada a ver com o sexo. Tem a ver com o depois dele.
Ambas arregalaram os olhos e focaram na amiga.
- O Felipe me pareceu complexado com questões relacionadas a dinheiro, carreira, estudos... Enquanto estávamos deitados começamos a conversar sobre planos futuros.
- Meu Deus! Por que você quer tanto falar de planos futuros Milla? – Interrompeu Flor.
- Você é obcecada com isso menina! – Esbravejou Isadora.
- Gente, eu só quero um namorado! – Milla bateu a mão na mesa.- Pelo menos não sou igual a Isadora, que tem medo de todas as pessoas que se aproximam. Ou como você Flor que fica analisando tudo. – Ela bebeu um gole de cerveja. – Cada uma com sua loucura.
- Quem é louca aqui? – Disse Bella, que chegou puxando uma cadeira e sentando.
- Que bom que você chegou amiga, você é a mulher mais ponderada que conheço. Como ia dizendo. – Ela respirou. - Falei para o Felipe sobre o curso técnico horrível que ele estava fazendo e parou no inicio do ano. Aconselhei a nem continuar, por que pagam pouco, e é uma área que não tem prosperidade futura.
Todas continuaram caladas. O que a fez continuar
- Mas ele se sentiu mal. – Ela disse irritada. – Falou que eu era fresca porque sou graduada. Ficou irritado por que o valor do meu Vale refeição é três vezes maior que o dele, e também disse que eu deveria dividir a conta de tudo com ele!
- Dividir a conta? – exclamou Isadora irritada. – No primeiro encontro? – lembra ele que os homens ainda ganham cerca de 30% a mais que nós, principalmente em cargos de chefia.
- Não é o caso dele né amiga. – Milla sorriu sem jeito. – Acho que isto deve ser um problema real pra ele.
- Mas por que falar tantas coisas assim com um completo desconhecido? – Questionou Bella.
- Eu me senti a vontade de conversar...
- E a novidade?  Você sempre esta a vontade demais! – Falou Isadora.
Todas começaram a falar juntas, até que nada era possível de se ouvir.
Flor interrompeu:
- Espera! – Ela gritou. Em seguida se fez silêncio. - Como ele sabe o Valor do seu vale refeição!?
Milla iniciou uma crise.
- Quantas perguntas! Eu sabia que vocês iriam brigar. Ele é doido, e surtou. Falou que eu estava querendo fazer ele se sentir inferior por ser graduada! Mas eu nem pensei nisso meninas, não tenho por que mentir pra vocês. Eu não entendi nada. 
- Onde a gente acha este cara pra dar uns tapas nele? – Perguntou Isadora num misto de raiva e riso.
- Ninguém vai bater em ninguém Isadora. Vamos ser práticas. – Disse Bella. – Você falou com ele depois?
- Não.
- Bloqueia! – Disse Flor. – O cara falou do seu VR, é um zóião. Que energia horrível!  
- Calma meninas! Vamos pensar em algo bacana. – Respondeu Bella. - Você tem vários caminhos, mas temos que pensar em algo sensato pra você não se expor mais.  
– Eu não fiz nada demais. – Disse Milla cabisbaixa.
- Você não tem nada a ver com a vida dele. Como passam essas coisas por sua cabeça? – Perguntou Bella ao esvaziar o copo inteiro de cerveja.
- Você fala demais Milla. Embora, ele não devesse se sentir inferior por namorar uma graduada, ou se assuma com o ensino médio, ou se gradue também. Você não tem culpa das questões mal resolvidas da vida dele.
- Eu também acho. - Respondeu Milla com um leve sorriso.
- Mas você não deve dar palpite na vida de ninguém. – Retrucou Bella no mesmo instante. – Ele não é seu amigo, você esta conhecendo ele agora. Não faz sentido falar sobre trabalho próspero ou não lucrativo.
- Mas amiga, se a gente fosse namorar eu queria que ele estivesse “correndo” comigo.
- Você sabe se ele é uma pessoa bacana pra entrar na sua vida? Além disso, se ele não te acompanha, nem perde tempo tentando mudar quem ele é, muda de pessoa. Entendeu?
Milla se calou. E alguns minutos depois:
- Isso tudo é verdade. – Ela suspirou. – Eu nem gostei dele na verdade, beija super mal. Acho que vou bloquear ele em todas as redes. – Disse ela ao olhar o celular.
- Não faz isso não. – Aconselhou Bela. – Apaga as conversas, e exclui o numero. Que seja um inexistente, nem a sua consideração merece.  
- Ta ok. Nem vou questionar, já fiz muita besteira. – Milla ergueu o braço e pediu mais uma cerveja. – Vamos comemorar, me livrei de um babaca!
- Verdade! – Disse Isadora. – Devo te lembrar de que você não deve se comprometer com ninguém garota, a nossa viagem ao Capitólio esta marcada para daqui a 4 semanas, não inventa Milla. – Ela sorriu.
- Certeza. – Vou ficar quieta até lá.  
Flor apontou o braço para a amiga, e com o cenho fechado disse:
- Você nos deve!
- O que foi Flor? Do que você esta falando. – Todas olharam para Milla.
Ela ficou pensativa, depois de alguns instantes sorriu.
- Já sei! – Ela revirou os olhos. – Você quando se apega em alguma coisa...
Todas falaram numa única voz:
- O VR! – Todas Riram.
- A conta hoje é sua, moça do VR cheio! – Disse Flor sorrindo.


Texto: Grazy Nazario 




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