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quinta-feira, 13 de maio de 2021

A culpa da mulher livre

 O que poderíamos chamar de liberdade? São muitas as definições, mas basicamente seria ter o direito de ir e vir, de decidir, fazer? Teoricamente todas as pessoas são livres, mas eu sinceramente diria, que na verdade ninguém é. Diante disso, a realidade da liberdade feminina poderia ter como referencia os mesmos direitos oferecidos aos homens, mais precisamente á homens brancos e que tenham dinheiro. 

Sem mais delongas, e sem me detalhar muito no que eu quero comunicar é que esta tal liberdade de fato, não existe quando se é mulher. Ironicamente não necessariamente é a "sociedade" que nos julga ou nos prende sempre, somos nós também que fazemos isso muitas vezes. São muitos e muitos anos obedecendo, fazendo sempre para alguém, por alguém, sem saber do que se gosta de verdade, vivendo a margem de si mesma. Mesmo quando temos certeza de que não estamos sendo egoístas, uma voz, lá dentro sussurra: "Você vai fazer isso"? 

Um dia desses uma pessoa que conheço me marcou no facebook, era dia das mães, ela costuma me falar sobre a relação que mantém com os três filhos e o ex. marido. Isso acontece porque em uma ocasião eu falava sobre a libertação da mulher que opta por si, independente do que as outras pessoas esperam como convencionais, elas escolhem diferente. Comentei isto com esta moça, sem saber que a sua historia de vida era muito parecida com isso. Ela ficou feliz de ter alguém que a "entendia", sentiu-se acolhida, e eu fiquei feliz por ter conhecido alguém de atitude por si mesma, bom que isso é real, eu disse e continuo a dizer.

No entanto, não vivemos sós, precisamos por muitos motivos nos aliar a pessoas, e seria muito bom que estas nos compreendesse. Afinal nos importamos com o que pensam, é importante ter com quem contar, e nos sentir amparadas de alguma forma, aquela sensação de que não estamos sós, isto nos fortalece.  Esta moça me fez pensar nas consequências de uma sociedade conservadora e sempre condenatória com as mulheres, disso nós já sabemos. "Eles podem tudo, e nós podemos pouco ou nada."

Mas faz muito tempo que esta frase não circula mais por minha mente, gostaria através deste texto e minhas palavras mostrar para cada mulher que podemos ser fortes, e cada uma em seu cantinho não estará só. Quando muitas mulheres de muitas idades e gerações se compreendem e estendem a mão umas as outras coisas boas acontecem. E isso não esta só na minha mente, são muitos componentes que nos tornam seguras, e ora estamos, ora não, como todas as pessoas. Primeiramente precisamos ser reconhecidas como pessoas, seres humanos mesmo, e junto a isso dissipar qualquer desigualdade de classe, cor, raça e etnia, isto é possível. É preciso olhar com mais carinho para as nossas "irmãs" de gênero, e sermos generosas com todas nós. 

O preconceito com a mulher livre e suas escolhas é tão real que chega a deixar a alma dolorida, e mesmo quando ninguém nos diz nada, seja porque nos cobrimos de uma armadura cheia de respostas prontas, ou porque acreditamos com doçura que estamos a fazer o melhor, é muitas vezes aquela vozinha cruel que o mundo nos ensinou a ter que costuma nos castigar, e é a ela que precisamos aprender a silenciar. 

A moça que eu citei deixou os três filhos com o pai e foi trabalhar fora do país. Antes de ir ela se preocupou em colocar eles em uma escola próxima da casa do ex. marido (ao qual elogiou muito, já que foi neste momento que nos conhecemos). Também fez diversas orientações, sofreu, mas estava decidida, não deveria perder esta oportunidade aos 23 anos. Eu achei incrível a sua determinação, e pensei comigo: Quantos homens teriam estes cuidados como ela estava fazendo? Sem falar do sofrimento, a insegurança estampada no seu solhar e nas suas mãos trêmulas. Era um misto de esperança e dor. Qualquer separação seria dolorida, é sempre ruim se despedir, mas quando se é mãe existe também a condenação social.  

Por que afinal isso deveria ser dessa maneira? De qualquer forma os filhos não morariam com ela, pois o pai fazia questão de que morassem com ele, e por motivos financeiros ela decidiu que toparia. Ela ficaria inicialmente dois anos nos EUA, juntaria uma grana, viveria novas experiências, que devido a gravidez aos 17 anos não foram possíveis antes. E por que algo assim deveria ser condenado por ela ou por outras pessoas? O que de fato há de errado em fazer algo dessa natureza? Ou o problema só existe quando se é mulher?

Caso a situação fosse outra também não caberia a ninguém julgar ou tornar mais difícil a decisão das mulheres, este é mais um modo de nos prender, nos paralisar diante de nossos sonhos, como se o fato de ser mãe fosse uma forma de sucumbir com qualquer oportunidade, como se fosse preciso abrir mão de si mesma por ter dado vida a alguém. Não existe companheirismo, respeito ou amizade quando se é mulher? Caso fosse ele que desejasse o mesmo, teríamos a mesma visão diante da situação? 

Mas e se ela tivesse morrido? Ou por algum motivo realmente desaparecesse e nunca oferecesse nenhum tipo de participação na vida dos filhos, o que neste caso não aconteceu. Ninguém se importaria com as crianças, porque na verdade o que está em jogo não são os filhos, ou qualquer outra coisa que eu citei acima, o que vale é perturbar e condenar a liberdade feminina, seja de qualquer forma que ela acontecer.

Cada pessoa deveria ter o direito de pensar e decidir com liberdade o que é melhor para si e para os próprios sonhos, e isto se estende a qualquer decisão da vida, ao invés de dificultarem ofereceriam assistência. Assim agiria um pai que ama os filhos, e uma família que acredita na liberdade e possibilidade das pessoas. Afinal todos gostam de saborear do nosso sucesso,  mas poucos topam fazer parte de verdade nisso? 

 Depois de dois anos eu a vi, não perguntei muito sobre a situação em si por falta de oportunidade, eu deduzi tudo por minha vida, e pelas cobranças que eu sentiria em relação a mim, a partir do que vejo as pessoas fazerem. 

Quando se preocupam com as crianças o foco é como fazer para tonar melhor a vida delas, jamais julgar as decisões da mãe, pois isso não cabe a ninguém além dela mesma. Costumam tratar a maternidade como um fardo, algo que devíamos carregar na alegria e na tristeza, quando na verdade não se trata disso. 

Ser mãe é estar em aprenderes constantes, a continuidade da humanidade nos capacita com saberes diversos, troca de afeto, responsabilidade e muitas outras questões, e todos estes significados já tiverem definições diferentes em outros tempos, pois quando se trata de ser e estar falamos de cultura e ela se transforma sempre, a cada instante. 

Eu desejo realmente que ela, a moça livre que me inspirou em personagens diversos tenha vivido com intensidade cada momento, e que continue se permitindo. E a todas que sentem desejos e sonhos, não se fechem para oportunidades, não sinta culpa por ser feliz, quem deve culpar-se são aqueles que condenam a liberdade, pois não tem coragem de vivê-la. 

Aquilo que for direcionado a nossa própria realização, decisão ou vida será julgado, simplesmente por que não nos querem livres ou felizes. A revolução maior é dentro de nós, quando a nossa liberdade não traz culpa, e sim satisfação. 

É a consciência que nos liberta, a culpa é só mais uma maneira de nos manter presas, livre-se dela.   


Texto: Grazy Nazario. 

Imagem: @Ilustrathata.


sábado, 17 de outubro de 2020

Quantos Robinhos você conhece?

 Casos como o do jogador Robinho não são diferentes de situações que conhecemos no dia a dia comum, não está distante de alguns homens que conhecemos. O jogador não respeita a palavra de uma mulher e não entendeu que ela precisa estar acordada para dizer sim ou não. Também não tem exemplos de justiça em casos semelhantes quando falamos de assédio, estupro, agressão ou qualquer outro crime de alguém em sua posição social. Aquela história de que o homem "pode tudo", além disso costuma encobrir os amiguinhos e as suas zoeiras, gosta também de se sentir o rei da noite fazendo "uso" das mulheres, como se a vontade delas não valessem.

O fato é que as questões de injustiças em relação as mulheres acontecem todos os dias, quando não se trata do roubo de algum objeto, não levam a sério o que ela tem a dizer, ela passa a ser o objeto da vez, e passará a ser questionada, não mais a vítima. Lógico que isso não é regra, existem sim pessoas sérias que trabalham em prol dos direitos de uma justiça real, existem também mulheres que se “aproveitam” de alguma situação para fazer algo contra o cara. Mas quantos casos são estes em relação a esmagadora maioria? E por que insistem em falar disso quando o assunto não é este? Sem falar que muitas vezes uma mulher que luta por seu direito e de seus filhos, como pensão alimentícia, visitas com cuidados em relação aos filhos também são vistas como “aproveitadoras”.

São muitos juízes no dia a dia e costumam condenar, sem demora a mulher da situação, nem analisam,  ou pensam por um minuto, previamente acreditam que a mulher “deve” ter culpa de alguma coisa. Cobramos das autoridades uma postura humana, e de bom senso em relação as mulheres, mas como isso é possível se as pessoas não conseguem enxergar além da sua habitual caixinha de apedrejamento de mulheres. Pensem, continuam a acreditar que temos que nos esconder e que os homens não são capazes de definir o certo e o errado,  muito menos assumir as consequências dos seus atos.

 Como fica então para a sociedade perceber além dessa facilidade de julgar e condenar pessoas pelo gênero, desde juízes, policiais, médicos, professores, etc.  Muitos foram criados por pessoas que acreditam que mulheres são objetos, ou que precisam ser retraídas para se protegerem, e repassam isto para as outras gerações sem questionar, estão entre nós em todas as profissões e gêneros. Está nítido que estamos vivendo hoje o resultado de conceitos absolutamente errados, com valores equivocados quanto ao que é ser mulher.

Não é incomum a gente ouvir de pessoas próximas trechos como ouvimos da conversa entre Robinho e seus amigos, infelizmente isto acontece muito. E quando sabemos de algo do tipo falam: Cuidado com estas caras, eles podem não ser legais. E quando questionamos as condutas deles nos dizem: Mas homens são assim mesmo, só não fica perto. O fato é que não tem como a gente saber que estamos rodeadas de escrotos, e não tem como a gente viver o tempo todo como se fossemos presas fáceis fugindo do lobo mau.

 Também queremos nos divertir, queremos poder sair para uma festa, beber pra caramba e não ser estuprada por isso. Queremos que as pessoas aprendam que NÃO É NÃO! Que homem não é assim ou assado porque existem leis, e nós somos seres humanos. Queremos que parem de fingir que não nos ouvem. Porque de um jeito ou de outro estupradores não passarão, seja por movimentos feministas, ou porque os patrocinadores viram que ia ficar muito feio.

É decepcionante notar que depois de todo o acontecido nos últimos dias diante deste caso, muitas pessoas não consigam entender o que está acontecendo e como isso prejudica as mulheres e pessoas num todo. O acusado veio a público falar sobre o assunto e não conseguiu reconhecer o que de fato fez de criminoso. As pessoas tiveram acesso aos áudios, mas querem tentar duvidar da justiça e da vítima, culpar a imprensa, o horário, e até as feministas. A culpa do estupro é do estuprador, no caso, estupradores. Compreendam, o movimento feminista não ataca homens, ataca criminosos.


Texto: Grazy Nazario. 

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Estante Virtual - Grazy Nazario

Na Estante virtual você pode conhecer os principais trabalhos da criadora de conteúdo do blog
 Oi Manxs, Grazy Nazario. 



A escritora, professora e feminista conta com algumas produções a partir de expressões artísticas e trabalhos voltados para educação. 


Estante Virtual - Palestras e Oficinas

Palestras e Oficinas  A Nova Mulher - Realidade em construção


As palestras ministradas pela autora Grazy Nazario, traz estudos e reflexões quanto ao novo papel da mulher no seculo XXI, frente uma realidade em constante transformação, e transição de busca de direitos e conservação de conceitos adquiridos.

O projeto A Nova mulher: Realidade em construção é composto por oficinas, palestras e grupos de estudos. 

O material a ser trabalhado em suas apresentações considera o público, idade, prioridade do território e realidade escolar. A proposta transita entre a introdução ao feminismo, busca pela igualdade de gênero, além de reconhecimento dos espaços e ocupação feminina como direito a todsx.





Para contratar palestras e oficinas entrar em contato nas redes sociais ou via 
e-mail: Graziellenazario10@hotmail.com


sábado, 17 de novembro de 2018

Biografia - Grazy Nazario


Projeto "Mulher Fora da Vitrine"

É um livro aobre mulheres, mas não apenas para mulheres ler. Trata-se de uma coletânea de historias protagonizadas por mulheres, diversos temas, cada uma diante de uma realidade diferente. Nos ensinando e nos apresentando varias formas de ver a vida, o amor a si mesma e ao próximo. 
Vale a pena conferir! 

Biografia da autora

Grazielle Nazario de Oliveira nasceu na cidade de São Paulo; é graduada em Artes Visuais e atua como professora na rede publica de ensino, é escritora de ficção, contos, crônicas e artigos de assuntos diversos. Também faz publicações semanais em blogs, além de produzir vídeos publicados na rede.
Seus trabalhos tratam de assuntos variados voltados a temas atuais, principalmente relacionados aos direitos das mulheres, lutas e conquistas. Acredita que a reflexão é a principal ferramenta das diversas linguagens da arte.  
Contato: E-mail: graziellenazario10@hotmail.com
Para conhecer melhor os seus trabalhos acesse:
 Guerrilha Feminina






sábado, 4 de agosto de 2018

Tatiane - Mais uma para as estatísticas. Será que é um exagero o que falam sobre violência contra a mulher?


É apenas mais uma. É assim que se faz para somar as estatísticas. Tatiane é mais uma que não teve “sorte”, e se uniu a um cara “mal”, alguém que não a respeitava, e não poupou a sua vida. Alguns tentam questionar, dizem não saber o que ela fez para aquilo acontecer, ou que foi uma fatalidade, tentam justificar o injustificável, e falham quando a verdade é uma só, eles não respeitam mulheres como serem humanos.

Então mais uma vez acabou Tatiane se foi, e Marias, e Anas, e tantas outras... Planos e sonhos se desfizeram por que outro alguém decidiu que seria assim, usou a sua força física contra alguém, cujo o gênero a estimula a ser “frágil”, enquanto ele cresceu aprendendo como fazer com que as mulheres fossem oprimidas, e encurraladas. Devem fazer a sua vontade.

Ao pensar no desespero dessa mulher a minha alma gela, me faz lembrar quantas mais somos nessa mesma situação, e como pensam em sair, e como se entregam em orações para que se livrem de seus opressores violentos. Tatiane é o retrato daquilo que tentam esconder todos os dias como se não existisse, mas que sabemos estar na vizinha, na prima, com a irmã, e conosco, é mais comum do que se imagina, e menos combatido do que deveria.

A tristeza maior é perceber que ainda não temos forças para ser maior que isso, para as denúncias assustarem, para eles temerem as autoridades mais do que nós os tememos. As nossas leis são fracas, e o barulho vem e logo passa, e então Tatiane é só mais um número, e qualquer uma de nós poderá ser o próximo.

Ser mulher é viver com medo, mesmo querendo lutar. Não queremos viver á base de nossa própria sorte, queremos viver bem por direito.

Que a sua morte não seja em vão, como tantas já foram.
Vamos aumentar as estatísticas dos agressores, antes que se tornem de mortes de mulheres. Esta sociedade não suporta mais feminícidios!
Disque: 180.


Texto Grazy Nazario.



quinta-feira, 21 de junho de 2018

Machismo legalizado - Copa Rússia 2018


A repercussão negativa do vídeo de brasileiros assediando uma mulher russa nesta Copa 2018 esta circulando o mundo, e levantando uma questão já anunciada por muitas mulheres há tempos, são reclamações  jamais ouvidas com atenção, mas que sempre nos incomodou. Aquela coisa do “mimimi” e de que “tudo agora é chato”, finalmente parece estar trilhando o seu caminho real, a exigência pelo respeito às mulheres como seres humanos parece chegar perto de acontecer. Ninguém quer ser tratado como o objeto de sua piada, ou servir de palco de humilhação e diversão para um grupo seleto, que de alguma forma se coloca em uma situação privilegiada. O mundo será chato para aqueles que não respeitam as pessoas, uma voz serão muitas vozes, e nada além do permitido será tolerado, doa a quem doer.  

Vale lembrar que atitudes assim eram comuns e bem aceitas até bem pouco tempo atrás, muitos jovens e adultos que acompanhavam programas como o pânico na tv e outros, que eram especialistas em depreciar qualquer pessoa, principalmente em objetificar e humilhar as mulheres. Quando consideradas “feias” eram ridicularizadas, quando “bonitas” objetificadas, logo não existe escapatória quando se é mulher, o seu destino é o desrespeito, é pedir migalhas por aceitar o que eles querem oferecer.

Dessa forma os “homens de família” se sentiam respaldados pelo machismo legalizado de todos os dias, desde aquela piadinha nojenta dita em suas rodas masculinas, até videos tranquilamente espalhados pelo mundo, para eles tudo é possível, ou era. Diante de tantos comentários contrários ao esperado pelos protagonistas da babaquice exibida na web, os misóginos confessos se dizem “vitimas” de exageros. Defendidos por uma minoria com frases do tipo “também não precisava tanto”, tiveram a sua vida profissional invadida, a vida pessoal exposta, os seus segredos de irresponsabilidade paterna anunciados  para o mundo, e se dizem dignos de pena.

Sendo didática, é bom lembrar que mulheres são invadidas dessa forma o tempo todo, como quando falam de sua genitália por simples exposição, vazam propositalmente vídeos ou fotos intimas. Para eles trata-se de uma genitália, e todo o conjunto esta ali para a diversão, seja como for, da forma que decidirem que deve ser. Isso justifica o uso da palavra “exagero” contra aqueles que reprovaram o ato, e toda a repercussão do caso. Talvez a maioria dos homens não perceba, ou não se importe, mas ser mulher é ser invadida sempre, seja por olhares, gestos ou julgamentos, e não apenas em questões sexuais. Somos apontadas, perseguidas e invalidadas. É como se fossemos eternas crianças incapazes, e a disposição do uso masculino.

O assunto que envolve esta questão é muito amplo e complexo, não caberia se estender por essas linhas mais causas, ou consequências. O fato é que agora a consciência nos tocou, e queremos o nosso espaço, exigimos o direito de ir e vir. A voz das mulheres esta sendo ouvida, esclarecendo e exigindo por todos os cantos do mundo, e isso acontece por que todas nós queremos uma coisa só, respeito. As punições irão acontecer de um jeito ou de outro, as mudanças são inevitáveis, não nos tratarão como se não existissem opiniões ou alternativas. Gostem ou não, a cada dia mais vozes falarão, ou mudem a postura, ou se mudem de planeta!




Texto: Grazy Nazario

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Da série de Contos - UM BEIJO BASTA?




                Acho que vai dar pra sair no intervalo, hoje é quarta e as últimas aulas eu não preciso mais de nota. Mas dai vai constar a falta e o que vou dizer pra minha mãe. Droga, tenho que arranjar um jeito.
- Malu!
                Posso entrar na aula, ficar uns 15 minutos e dizer que estou passando mal. Com um cólica terrível e pedir pra sair. Vou ter que ser bem convincente, porque se não a Dona Lourdes não vai cair na história.
- Malu!!
                Mas o que eu vou fazer o que até o horário de voltar pra casa. Se usar meu passe pra ir até o centro vou ter que ter dinheiro pra voltar e eu gastei todo meu dinheiro naquele show. Não vai dar pra ir no centro. Preciso saber onde vou, não posso ficar vagando na rua.
- MARIA LUIZA, TA SURDA!!!
- Nossa mãe, pra que gritar assim, quase morri de susto!
- Se não estivesse com esse treco enfiado nos ouvidos tinha me ouvido na primeira vez que chamei; Apura menina, o ônibus vai passar em 10 minutos;
- Sei mãe, já tô saindo!
- E Maria Luiza, tira essa coisa dos ouvidos que tu vai ficar surda pra sempre!!
- Ok mãe, relaxa;
                Droga mesmo, sempre essa gritaria de manhã. Meu irmão ta lá dormindo ainda e ela não vai gritar com ele. Sempre de boa no sofá enquanto eu tenho que ficar ajudando em tudo. Inferno ser mulher mesmo.
                Meus Deus o ônibus parado me esperando. Que merda. Comecei bem o dia, todo mundo olhando pra mim enquanto entro. Vergonha alheia. Esse moleque sentado do meu lado fungando o nariz toda hora, só o que faltava me passar alguma coisa. Que ódio, tô muito irritada e nervosa e nem estou naqueles dias. Tenho que arranjar um jeito de escapar antes da volta pra casa depois da natação. Não tenho coragem de olhar na cara dela depois de ontem.
                Só de pensar minha garganta tranca e me dá esse vazio no estomago. Porque eu tinha que ter feito aquilo. Porque fui tão idiota. Nossa que calor, só de pensar já estou ficando vermelha de vergonha. Meu deus eu podia ter feito qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo, menos aquilo. Como fui idiota. Maria Luiza sua retardada, porque não empurrou, fugiu ou fez qualquer outra coisa. Fico lá parada com cara de tacho. Depois ficou toda vermelha como um pimentão de vergonha. Lesada.
                Tenho que arranjar um jeito, tenho que fugir, não vou conseguir olhar na cara dela. Mas também pode ser que ela esteja como eu. Pode até ser que ela não vá. Isso seria ótimo, mas não tenho como saber até encontrar ou não ela lá. Será que arrisco? Posso dar uma espiada antes? Se ela estiver lá me tranco no banheiro de cima. É isso, vou fazer isso mesmo.
                Nossa já estamos no colégio. Olha só aquelas doidas se exibindo pro pessoal do futebol. Vou lá com elas.
- Oi pessoal, Oi Adri, Fe, Rafa!
- Oi Malu, que perfume é esse hein??
- Perfume normal de todo dia Fe! O que tem?
- Nada não, só tá bem mais forte hoje!
- Quem é o gatinho Malu?
- Que gatinho, ficou louca Adri, não tem gatinho nenhum!!
- Relaxa “migs”, pode falar pra gente!
- Já disse que não tem ninguém Rafa, bora pra aula que bateu o sinal;
- Huuuummm, nervosinha é!!
                Como é que eu ando ainda com essas lesadas. Mas será que meu perfume ta muito forte mesmo? Será que exagerei? Mais uma nóia pra minha cabeça. Essas primeiras aulas vão ser um porre. Odeio revisão pós provas. Já estudamos tudo isso e fizemos as provas. Se fomos mal não vai ter como voltar no tempo e refazer a prova.
                Já sei como vou fazer, vou entrar pela porta da trás da piscina, aquela que tem um vidro. De lá vou conseguir ver toda a piscina e ver se ela está lá. Meu deus cada vez que olho aquele relógio atrás da professora minha barriga da um embrulho. Porque as horas estão passando tão rápido hoje. Me lembro de olhar fixamente para aquele relógio e até achar que tinha o poder de congelar o tempo de tão devagar que aquele ponteiro andava. Porque eu estou assim hoje? Ela não vai estar lá, não preciso me preocupar. Ela deve estar bem pior que eu, com muito mais vergonha.
- Vamos Malu?
- Vamos aonde?
- Ué doida, já bateu o sinal do intervalo, vai ficar na sala?
- Vou sim Fe, não to afim de descer não.
- É uma CDF mesmo né, beijinho então!
                Droga, droga, droga. Já foi meio período de aula, daqui a pouco a aula acaba e eu nessa agonia. Maria Luiza pensa, ela não vai estar lá. Ela não teria essa coragem. Afinal foi ela quem fez tudo. Foi tudo culpa dela. Ela deve estar querendo se enfiar num buraco. Imagina só. Merda, não imagina, não quero ficar relembrando isso. Toda vez que lembro me da esse calor, já devo estar ficando vermelha. Mas isso não sai da minha cabeça um instante, que inferno de vida. Como ela teve coragem de fazer aquilo, porque ela fez aquilo. Se encontrar ela vou perguntar o que ela ta pensando em fazer essas coisas!
                Caramba, o sinal do final da aula. Tenho que correr pra me trocar e dar a volta em toda a piscina pra chegar na porta de trás.
- Tchau meninas, tenho que ir pra natação.
- Nossa Malu, que pressa é essa?
- Nada não, tenho que desenrolar umas coisas antes Adri, beijo pra todas!
                Consegui, deu tempo de me trocar a dar a volta nas piscina. Ué, parece que ela não veio mesmo. Não to vendo em lugar nenhum aquela toca verde brilhante. Sabia que ela não viria, com certeza ela deve estar com muito mais vergonha que eu por ter feito aquilo. Nossa até consigo respirar direito agora, vou até dar uma relaxada na água quente antes da aula. Essa piscina é muito boa, com essa água bem quentinha.
- Oi Malu!
                Credooo, de onde saiu essa criatura. Meu deus que toca tosca rosa é essa.
- Oi.. Eduarda.
- Eduarda? Que é isso, ta tudo bem?
                Mas que cara de pau! Como ela consegue?
- To de boa “Duda”!
- Hum, sei! Parece até que viu um fantasma!
- Deixa de ser ridícula!
- Nossa calma, pra que essa agressividade?
- Desculpa, não é nada não! Vamos fazer a aula, a professora está chamando.
                Que droga, como ela consegue. Parece que não aconteceu nada. Será que sou eu que estou viajando. Não. Ela que é muito cara de pau mesmo. Mas mesmo assim, ela me olhou como se não tivesse acontecido nada. E porque eu não consegui olhar no olho dela? Porque tinha que ficar olhando a boca dela? De novo fui retardada. Porque eu não agi como ela? O que será que ela ta pensando agora? Eu fiquei olhando o tempo todo a boca dela, será que ela pensou que eu quero repetir?
                Nem foi um beijo tão bom assim! Ta certo, foi melhor que todos os outros beijos que já recebi. Ai que droga, o beijo foi muito bom! A boca dela era macia, molhada e com gosto de hortelã. Meu deus tenho que parar de pensar nisso. Que calor que ta me dando. Essa água parece estar muito mais quente que o normal. Assim que terminar a aula vou sair correndo pra tomar banho me trocar e ir embora.
- Malu, me espera. Vou com você!
- Comigo? Aonde?
- Ué Malu, tomar banho pra gente ir embora?
- Ah... tá...
                Meu deus e agora, o que eu vou fazer. Já to ficando enjoada. Esse nó na minha garganta, esse frio na barriga. Tudo junto com esse calor. Vou usar o ultimo chuveiro, ela sempre escolho o segundo, dai fico longe.
- Malu, vem nesse chuveiro do meu lado, esses são os melhores. Esse ai não esquenta direito.
                Ah caraca. E isso agora, ela testou todos os chuveiros?
- OK
- Malu, o que foi? Você ta... muito estranha.
- Não foi nada!
- O que? Você não gostou do meu beijo?
                Meu deus, que pergunta é essa? Como ela consegue falar assim normalmente?
- Eu... ham.. não.. sim... quer dizer...
- Você não sabe se gostou do beijo Malu?
- Sei sim... gostei...
                Nossa porque ela ta me perguntando essas coisas. Porque to ficando assim tão quente. Quero me enfiar nesse ralo junto com a agua escorrendo. Ela não para de olhar nos meus olhos, eu não sei mas nem pra onde olho. Não consigo olhar nos olhos dela. Só consigo enxergar a boca dela. Estamos nuas no banheiro tomando banho e ela fica me fazendo essas perguntas. Meu deus quero sumir, fugir não sei. Mas não consigo me mexer.
- Então você gostou do meu beijo. Que bom, também gostei do seu, da sua boca!       
                Caraca isso é coisa que se diga, nessa situação ainda.
- Er.. Obrigada.. Só que..
- Só que você não sabe se gosta de meninos ou de meninas? É isso Malu?
- Hum.. Eh.. Não sei...
                Meu deus porque ela ta me segurando pela cintura? Porque ta me olhando assim? Porque essa boca na minha de novo? Porque esse beijo tão bom? Porque eu não reajo, não empurro ela? Esse gosto de hortelã de novo, essa boca macia. Como o beijo dela é bom, meu corpo inteiro ta reagindo a esse beijo. Não consigo me me mexer, só acompanho o beijo dela e meu corpo cola no dela. Que pele macia que ela tem, consigo sentir o cheiro do perfume dela. Eu não sei se gosto de meninos ou de meninas. Mas eu sei que gosto dela.





Texto: Clara C. 

terça-feira, 8 de maio de 2018

A Graduada



Na mesa do bar.

- O que aconteceu Milla, por que ontem me ligou chorando? – Perguntou Flor.
- Nem sei como começar. – Ela respirou fundo. – Você jura não brigar comigo?
- Não começa a choramingar garota! – Respondeu Isadora se intrometendo.
- Flor, eu não vou suportar ter passado por tudo aquilo, e você ainda brigar comigo.
- Ta, eu prometo. – Disse Flor revirando os olhos.
As três moças se ajeitaram em suas cadeiras.
- Vocês se lembram de que eu estava conversando com aquele cara?
- Qual? – Perguntou Flor.
- O Carlos, o Joaquim, ou o Ricardo!? –Questionou Isadora, enquanto olhava as unhas.
- Credo Isadora! Quem ouvir você falando assim diz que sou uma devoradora de homens!
- Não é nada disso Milla! Eu só estou confusa mesmo. Lembra, estou desatualizada.
- É verdade. – Respondeu Milla contrariada. - Mas eu estou falando do Felipe!
Isadora gargalhou. Flor a encarou, e ela engoliu o riso.
- Eu fui ontem ao motel com ele, resolvi desobedecer a regra dos três encontros.
- Você sempre desrespeita alguma regra! – Respondeu Isadora.
- Eu nunca entendi de onde você tirou essa regra louca! – Flor respirou fundo.
- Então gente, mas não tem nada a ver com o sexo. Tem a ver com o depois dele.
Ambas arregalaram os olhos e focaram na amiga.
- O Felipe me pareceu complexado com questões relacionadas a dinheiro, carreira, estudos... Enquanto estávamos deitados começamos a conversar sobre planos futuros.
- Meu Deus! Por que você quer tanto falar de planos futuros Milla? – Interrompeu Flor.
- Você é obcecada com isso menina! – Esbravejou Isadora.
- Gente, eu só quero um namorado! – Milla bateu a mão na mesa.- Pelo menos não sou igual a Isadora, que tem medo de todas as pessoas que se aproximam. Ou como você Flor que fica analisando tudo. – Ela bebeu um gole de cerveja. – Cada uma com sua loucura.
- Quem é louca aqui? – Disse Bella, que chegou puxando uma cadeira e sentando.
- Que bom que você chegou amiga, você é a mulher mais ponderada que conheço. Como ia dizendo. – Ela respirou. - Falei para o Felipe sobre o curso técnico horrível que ele estava fazendo e parou no inicio do ano. Aconselhei a nem continuar, por que pagam pouco, e é uma área que não tem prosperidade futura.
Todas continuaram caladas. O que a fez continuar
- Mas ele se sentiu mal. – Ela disse irritada. – Falou que eu era fresca porque sou graduada. Ficou irritado por que o valor do meu Vale refeição é três vezes maior que o dele, e também disse que eu deveria dividir a conta de tudo com ele!
- Dividir a conta? – exclamou Isadora irritada. – No primeiro encontro? – lembra ele que os homens ainda ganham cerca de 30% a mais que nós, principalmente em cargos de chefia.
- Não é o caso dele né amiga. – Milla sorriu sem jeito. – Acho que isto deve ser um problema real pra ele.
- Mas por que falar tantas coisas assim com um completo desconhecido? – Questionou Bella.
- Eu me senti a vontade de conversar...
- E a novidade?  Você sempre esta a vontade demais! – Falou Isadora.
Todas começaram a falar juntas, até que nada era possível de se ouvir.
Flor interrompeu:
- Espera! – Ela gritou. Em seguida se fez silêncio. - Como ele sabe o Valor do seu vale refeição!?
Milla iniciou uma crise.
- Quantas perguntas! Eu sabia que vocês iriam brigar. Ele é doido, e surtou. Falou que eu estava querendo fazer ele se sentir inferior por ser graduada! Mas eu nem pensei nisso meninas, não tenho por que mentir pra vocês. Eu não entendi nada. 
- Onde a gente acha este cara pra dar uns tapas nele? – Perguntou Isadora num misto de raiva e riso.
- Ninguém vai bater em ninguém Isadora. Vamos ser práticas. – Disse Bella. – Você falou com ele depois?
- Não.
- Bloqueia! – Disse Flor. – O cara falou do seu VR, é um zóião. Que energia horrível!  
- Calma meninas! Vamos pensar em algo bacana. – Respondeu Bella. - Você tem vários caminhos, mas temos que pensar em algo sensato pra você não se expor mais.  
– Eu não fiz nada demais. – Disse Milla cabisbaixa.
- Você não tem nada a ver com a vida dele. Como passam essas coisas por sua cabeça? – Perguntou Bella ao esvaziar o copo inteiro de cerveja.
- Você fala demais Milla. Embora, ele não devesse se sentir inferior por namorar uma graduada, ou se assuma com o ensino médio, ou se gradue também. Você não tem culpa das questões mal resolvidas da vida dele.
- Eu também acho. - Respondeu Milla com um leve sorriso.
- Mas você não deve dar palpite na vida de ninguém. – Retrucou Bella no mesmo instante. – Ele não é seu amigo, você esta conhecendo ele agora. Não faz sentido falar sobre trabalho próspero ou não lucrativo.
- Mas amiga, se a gente fosse namorar eu queria que ele estivesse “correndo” comigo.
- Você sabe se ele é uma pessoa bacana pra entrar na sua vida? Além disso, se ele não te acompanha, nem perde tempo tentando mudar quem ele é, muda de pessoa. Entendeu?
Milla se calou. E alguns minutos depois:
- Isso tudo é verdade. – Ela suspirou. – Eu nem gostei dele na verdade, beija super mal. Acho que vou bloquear ele em todas as redes. – Disse ela ao olhar o celular.
- Não faz isso não. – Aconselhou Bela. – Apaga as conversas, e exclui o numero. Que seja um inexistente, nem a sua consideração merece.  
- Ta ok. Nem vou questionar, já fiz muita besteira. – Milla ergueu o braço e pediu mais uma cerveja. – Vamos comemorar, me livrei de um babaca!
- Verdade! – Disse Isadora. – Devo te lembrar de que você não deve se comprometer com ninguém garota, a nossa viagem ao Capitólio esta marcada para daqui a 4 semanas, não inventa Milla. – Ela sorriu.
- Certeza. – Vou ficar quieta até lá.  
Flor apontou o braço para a amiga, e com o cenho fechado disse:
- Você nos deve!
- O que foi Flor? Do que você esta falando. – Todas olharam para Milla.
Ela ficou pensativa, depois de alguns instantes sorriu.
- Já sei! – Ela revirou os olhos. – Você quando se apega em alguma coisa...
Todas falaram numa única voz:
- O VR! – Todas Riram.
- A conta hoje é sua, moça do VR cheio! – Disse Flor sorrindo.


Texto: Grazy Nazario 




sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Dia do samba - Som de mulher!


Dia 02 de Dezembro foi comemorado o aniversário do samba, um dos ritmos mais populares, e dito de raízes brasileiras. De melodia envolvente e batuque sedutor, o samba não parece mesmo querer morrer, a verdade é que ele esta se renovando. Ao lembrar de samba, preciso falar sobre as meninas que conheci dias atras, afinal quando falamos em grupo de samba imediatamente pensamos em homens tocando e produzindo o som da festa, o samba é também predominado por homens,  Não que a mulher não esteja presente,
salvo raras exceções como Jovelina Pérola Negra, Dona Ivone Lara, Alcione, Beth Carvalho e Leci Brandrão, entre outras. Em relação a quantidade de homens, elas praticamente não existem.


A participação das mulheres no samba poderia ser vista quase como um enfeite na diversão masculina que já existia sem necessariamente precisar delas. Muitas vezes serviram de inspirações para rimas, e lhe emprestavam um rebolado sedutor. Elas estavam ali apenas cumprindo o seu papel de servir ao outro, da forma como eles esperavam ou desejavam. Mas a realidade esta se transformando, os conceitos diante da mulher, e de suas profissões e atitudes aos poucos tomam nova forma.

Numa noite dessas fui a uma casa noturna e uma voz feminina me chamou a atenção, me virei para olhar a banda, e eram  cinco mulheres tocando, donas de seus sorrisos e conduzindo divinamente seus respectivos instrumentos. Era som de mulher! Senti os meus olhos brilharem, e meu sorriso correspondeu a alegria, elas se olharam e me sorriram de volta. Foi uma delícia compartilhar aquele momento nosso, de liberdade e reconhecimento de que ela existe para nós.

Eram Deborah, Luana, Juliana, Sheila e Valeria as minas do grupo Batuk mulher, são elas entre outras que se apresentam na noite da Zona Leste de São Paulo, e mais uma vez nos mostra que as mulheres sabem mais que rebolar, também sabem e querem batucar. Elas me contaram que estão com o grupo formado há treze anos. Se conheceram nas noites tocando, cada uma em sua especialidade, então resolveram se unir e montar o grupo que conheci naquela noite.

Fiquei encantada ao conversar com elas depois do show, há tanto tempo na estrada e eu não as conhecia. Eu pesquisei um pouco mais e descobri que existem outros grupos como o Batuk mulher espalhados por aí, trabalhando com musica e rompendo padrões. As mulheres estão sim roubando a cena, ou ocupando um que nunca lhe foi permitido.

Na maioria das vezes cabia aos homens, tão livres e cheios de historias nos contar através da musica o quanto a vida poderia ser boa, divertida, ou “infeliz” diante das decepções. A liberdade de curtir, criar, ou trabalhar a livre escolha até então era privilegio masculino, a vida das mulheres por muito tempo foi extremamente limitada, e ainda é em muitos cantos do mundo, a nossa batalha esta apenas começando, e em todos os sentidos.

O fato é que algumas das mulheres já descobriram que não há limites para suas vontades e sonhos, o aniversário é do samba, mas são elas que comemoram a liberdade de aprender a apreciar tudo de bom que ele pode oferecer, afinal a vida não é só cuidar do outro. O samba é mais um espaço sendo conquistado pelas mulheres, e as meninas do Batuk Mulher são mais garotas que nos inspiram, mesmo quando não carregam a intenção de fazer isso. 
Então batuquem meninas, e vamos sambar no machismo! 


Texto: Grazy Nazario.



Para maiores informações sobre o grupo clique no link: 
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terça-feira, 11 de abril de 2017

Por que é tão difícil entender a Emilly?

Mesmo sem acompanhar o Big Brother Brasil é impossível ficar indiferente diante do que aconteceu com a participante do programa, a Emilly. Após assistir a um resumo de vários tipos de agressão e opressão por parte de seu par dentro da casa, percebi por que a situação ficou insustentável e o programa providenciou a saída do participante.

Mas por que ainda assim julgam a atitude da garota?  Por que ela o defendeu?

Essas pessoas que questionam uma atitude comum por parte das mulheres, parecem se esquecer sob qual perspectiva de vida as meninas são criadas (até hoje inclusive), nos é ensinado que somos as responsáveis por tudo, inclusive pelo mau comportamento dos homens, seja namorado, irmão, colegas de trabalho e até estuprador! Como se eles nunca soubessem o que fazem ou que não precisassem saber ou se responsabilizar por nada.

Pense, TUDO em torno da vida do homem depende de como ele é tratado por uma mulher.
  E isto está correto?

Durante todo o nosso crescimento como ser humano somos condicionadas a aceitar tudo como normal, mas isso não acontece através de palavras ou obrigatoriedade, acontece como se pertencesse a nossa “natureza”.

Tá de brincadeira!

Acontece a todo o tempo e de varias formas, as explorações físicas e intelectuais a quais somos expostas é de doer quando se analisa a fundo. São situações comuns que nos faz acreditar que somos as culpadas pelos erros do outro, pelos males do mundo.

Será que é mesmo tão difícil entender que ele é responsável por seus atos, e que se ela é “fresca”, “chata”, ou “infantil”, como eu ouvi, cabe a ele não se relacionar com ela simplesmente, ou respeitar o seu modo de enxergar o mundo, ou apenas esperar dela algumas mudanças a partir de seu amadurecimento pessoal. A vida é dela, simples assim, apenas a deixe viver.

Ver mulheres falando mal de colegas numa situação como estas é péssimo, pois quando tira o direito de uma, está fazendo isso com todas. Não somos e não precisamos ser perfeitas, precisamos de ajuda. Quando a sua amiga, irmã, mãe ou qualquer mulher estiver em situação semelhante, não a julgue, ofereça o seu ombro, sua ajuda.

A garota do BBB, assim como aquela pessoa que você conhece, não enxerga isso que vemos com a razão, as questões de sentimentos ou carência do ser humano são dignas de diversos estudos e mexe conosco de maneiras ainda inexplicáveis, e quando se trata das mulheres isso é mais intensificado. Somos criadas para isso, os contos de fadas que o diga!  


E é para isso que servem os amigos que nos cercam, nos mostrar aquilo que as vezes não enxergamos, mesmo quando esta nos fazendo muito mal. Não julgue, tenha empatia, se não pode ajudar se cale, mas não reforce o coro do machismo, não atrase as nossas vitorias, não defenda o erro. E que o mundo nos permita perceber o mal, antes dele nos aterrar ao chão sem reação diante de nós mesmas.    


Texto: Grazy Nazario. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A verdade pode ser negada, as consequências não.

  Criminoso de Campinas não agiu sozinho, existe um sistema que cria e apóia condutas como esta. 

Nem mesmo o mais criativo dos escritores seria capaz de produzir algo perto do que fez o sujeito de Campinas, diante da chacina da cidade campinense as histórias fictícias que já escrevi contendo violência física, verbal, ou emocional contra as mulheres são bobagens, coisa de amador, e é assim também que as autoridades conduzem atitudes anteriores a deste tipo de crime, até chegar a extremos como o massacre que aconteceu na noite de ano novo. Quando nos pronunciamos a favor de politicas publicas para as mulheres, chovem críticas, como se casos de feminícidio, ou seja, quando a causa do crime esta ligada a “Ser Mulher” fosse algo inventado, pura literatura ou contos imaginários, assim como alguns que eu já criei.

 A verdade é negada, ou tratada como algo sem importância, e os números que deveriam diminuir, na verdade só aumentam. A liberdade da mulher é muitas vezes enxergada como uma afronta a masculinidade, a sociedade apoia atitudes machistas que estimulam o comportamento de dominação e superioridade, mas não enxergam e não admitem isto, justificam através de conceitos morais violentos contra as escolhas das mulheres, desrespeitam suas vontades, sua evolução como ser humano, e a tratam como um ser incapaz de fazer as suas próprias escolhas. Tentam a todo custo impedir que conduzam a própria vida como deseja, como se ela não soubesse como fazer, ou não devesse fazer isso.

Casos como este de Campinas acontecem com mais frequência do que são divulgados, não necessariamente  em uma chacina com esta repercussão, tendo como vitima também uma criança, filho do assassino, além do alto número de vitimas.  Mas igualmente matando a todos que estão por perto, culpando a todos que apoiam a mulher e colaboram para as suas escolhas. A misoginia é assustadora, esta no dia a dia, inserida como se fosse invisível, e quando vista é dita como "coisa de mulher louca ou frustrada", nunca coisa de homens com medo de responsabilidade e mimados, que não aprenderam a ouvir um NÃO.
   
Faz-se a cada dia mais necessário debater estes assuntos, mas ao invés disso falam em banir feministas, entender e exigir o real direito do ser humano é o maior crime, matar é aceitável. A conquista da liberdade real incomoda, não permitem, e não apenas as pessoas de forma individual por medo ou insegurança, mas tudo o que a organiza a sociedade, desde religião, linguística ou educação, a cultura enraizada na sociedade de que mulher é inferior ao homem é o que mata pessoas, e não feministas, ou seja lá a nomenclatura direcionada á pessoas que decidiram ser tratadas como gente. 

Em meio ao caos real que ainda insistem em fingir que não existe, mesmo diante das piores estatísticas de violência, estupros e maus tratos, a culpa é o eterno fardo feminino, ainda querem nos esconder sob a falsa afirmação de proteção, enquanto nos negam a proteção que apenas o respeito nos assegura. Ao contrário de outros exemplos de opressão, o machismo e a misoginia não são distinguidos por classes sociais, idade ou nacionalidade, mas estão espalhadas pelos quatro cantos do mundo, como algo natural, sem fronteiras, o gênero feminino é a porta para o sofrimento, é a nossa sentença de morte, e o passaporte do medo.

A batalha das mulheres é antiga e árdua, e os resultados mínimos diante do caminho já trilhado, e a ser percorrido, seria bom menos hipocrisia e mais atitudes por parte das autoridades, imprensa e a sociedade em todos os campos possíveis, não tentem nos fazer engolir e acreditar que são suficientes as migalhas que o sistema nos oferta com uma mão, e nos tira com duas, a igualdade esta distante de ser real.  

A luta pela independência feminina é muito mais que ter o direito de trabalhar e receber igual aos homens, ter a mesma responsabilidade com os filhos, ou decidir com autonomia sobre os assuntos referente ao próprio corpo. Queremos o direto de nos perceber e viver como um ser humano, e ter capacidade de compreender a nossa existência a partir de como enxergamos o mundo e a nós mesmas, e não ter  uma função designada por alguém, para facilitar pura e simplesmente a vida de outros tantos alguéns! O autor da chacina morreu junto a suas vitimas, covardemente se privou de qualquer punição judicial, agora já é tarde para qualquer medida preventiva, que foi negada pelos órgãos responsáveis. Quanto a medidas punitivas, é difícil imaginar qual punição seria suficiente para punir e amenizar o quadro de destruição deixado pelo assassino misógino e cruel.

 Estas foram mais vitimas do machismo, como existem inúmeras espalhadas, que não estampam as capas dos jornais,  mas estão no nosso circulo de amizades, na vizinhança, com a colega do trabalho, ou silenciosamente dentro da própria casa.  Da imprudência da justiça à cegueira conveniente da sociedade cômoda e desumana com suas “filhas” tão veneradas por motivos óbvios, e odiadas por permanecerem à frente da luta pelo direito de viver suas escolhas.

É preciso falar sobre este assunto todos os dias, com os nossos filhos, sobrinhos e alunos, parentes e amigos, é preciso existir punição real, e reconhecimento dos maléficos crimes a partir de questões de gênero. A sociedade não pode continuar a produzir monstros cheios de razões equivocadas e banhados de senso comum, com ensinamentos e aprovação sobre como controlar e ter poder sobre a vida que não lhe pertence. É urgente a necessidade de fazer desse caso um exemplo, e buscar lições de como evitar que comportamentos assim continuem a ser considerados plausíveis, e que menos mulheres sejam vitimas da decisão de serem humanas. 


Texto por: Grazy Nazario. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Filme - As Sufragistas

As sufragistas é um filme que fala sobre a luta das mulheres pelo direito ao voto, na Inglaterra durante o inicio do século XX.

É dolorido assistir uma realidade tão antiga e ao mesmo tempo atual quando fazemos certas comparações com os dias de hoje, claro que em suas devidas proporções. O filme ilustra muitas dificuldades das mulheres em tempos de batalhas, que nos parecem simples depois de já conquistadas, mas que na verdade ainda hoje estão em processo de conquista e são igualmente difíceis. A história nos dá amplitude quanto ao direito ao voto, e participações politicas, que como sabemos ainda é insignificante. Mas, o filme fala sobre a negativa do direito ao voto de maneira sutil, e enaltece todo o contexto da vida social da mulher, ou da inexistência disso.

 A história se baseia em uma mulher comum, dessas que não repara ao que esta sendo submetida por já considerar a sua realidade horrível e desumana como algo natural. No entanto, em um momento do filme a personagem Maud Watts, representada por Carey Mulligan se enxerga como possível transformadora da própria realidade e de outras mulheres ao se aliar com outros seres pensantes. O filme também ilustra a dificuldade das mulheres em vários contextos empregados à mulher, além de mencionar as diferenças de classes e desigualdades sociais tão gritantes (o que é possível enxergar com facilidade nos dias atuais), mas que negavam, assim como hoje.  

O final, como a maioria de filmes neste segmento, deixa a desejar, e não pela produção em si, mas por não ter o direito de fugir da realidade, a sensação é sempre de que alguma coisa foi iniciada, mas que é apenas o inicio de algo muito maior, que pode nos dar esperança por ter tido avanços, ou nos dilacerar o peito por ter avançado tão pouco.


Assista e sofra, ou sorria.      


Texto: Grazy Nazario 

Ficha técnica

Nome: As sufragistas
Nome Original: Suffragette
Cor filmagem: Colorida
Origem: Inglaterra
Ano de produção: 2015
Gênero: Drama, Filme de época
Duração: 107 min
Classificação: 14 anos
Direção: Sarah Gavron
Elenco: Carey Mulligan, Helena Bonham Carter, Meryl Streep, Anne-Marie Duff, Ben Whishaw, Brendan Gleeson





quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Geração Mudança - Feminismo na Escola

A cada dia surgem novos grupos exigindo mudança e respeito quanto aos direitos direitos das mulheres. Estão em todos os cantos, de idades diversas e classes sociais, e aos poucos se dão conta de que são os responsáveis pelas transformações sociais que interferem no cotidiano de cada um. 

A EMEF Sérgio Milliet localizada na zona leste de São Paulo é mais uma das unidades escolares que fala abertamente sobre gênero e sexualidade. O assunto esta na boca de meninas e meninos, a cada momento uma nova discussão, construções e desconstruções de conceitos e culturas que a cada dia se transformam, e nos toca como algo realmente importante.

Em visita a escola as estudantes nos apresentaram o assunto que esta mexendo na rotina da escola, o feminismo é a pauta. A ideia de igualdade torneia as meninas, e para orgulho de professores e direção, a iniciativa partiu de um trabalho escolar. O TCA (Trabalho Colaborativo Autoral), este trabalho faz parte da grade do ciclo autoral das escolas Municipais de São Paulo. Os alunos escolhem os temas a ser trabalhado e pesquisado, uma espécie de prévia para o TCC (Trabalho de conclusão de Curso) que se tem conhecimento no ensino superior. Esta é uma forma de proporcionar aos estudantes interesse e resultados a partir de pesquisas, e despertar o interesse em assuntos de seu cotidiano.


O grupo do TCA da EMEF Sérgio Milliet é formado por cerca de 15 garotas, que se sentem a vontade para iniciar assuntos relacionado ao tema. “Não podíamos usar nenhuma roupa que tínhamos vontade, fosse frio ou calor, nada era permitido para as meninas”, esta foi a citação de uma das participantes, e segundo o restante do grupo, foi a partir daí o interesse em falar sobre o assunto.  
Em outros relatos as reclamações são desde as mais simples às mais complexas, sobre comportamento, expressões, até aborto, e atitudes que antes lhes pareciam normais, agora são insustentáveis. O assédio dos meninos é um assunto muito mencionado pelas garotas, e também foi algo que impulsionou o grupo, a força se tornou tão real a ponto de quase causar a expulsão de um de seus colegas de sala. Diante das alegações de assédio e toque ao corpo das adolescentes, além das famosas “cantadas”, e tentativas de beijos forçados, a direção se sentiu na obrigação de tomar uma atitude.

Algumas declarações são realmente preocupantes, meio a palavras inflamadas: “Ele não respeita ninguém”, disseram elas em coro. “Simplesmente diz que vai te beijar, e, e nos deixa com medo”. “Um dia cercamos ele no pátio, todas nós juntas, ele ficou pálido. Dissemos a ele que aquilo não estava certo, e que ele não poderia fazer isso com ninguém. Exigimos que ele fosse expulso da escola.”

Quanto a este episódio foi relatado que o menino pediu para ficar, e disse que mudaria a atitude. O grupo entendeu que se ele apenas saísse da escola nada mudaria, e ele continuaria a fazer isso em outras escolas, e com outras meninas. Se estava pedindo uma chance, mostrariam a ele como deveria respeitar mulheres e garotas.

Fatos como estes deixa nítido a importância de abordar estes assuntos, intervir com propriedades de leis e direitos. O emponderamento das meninas é evidente, a esperança em mudanças, e o saber que qualquer mudança se inicia em atitudes que rejeitam o senso comum, que dentre muitas coisas implica em não aceitar atitudes como esta.  

Outro caso contado com empolgação, foi sobre o garoto que usava uma camiseta com frases ofensivas as mulheres. Ele foi parado no pátio, e exigido que a ofensa escrita em sua camiseta fosse retirada. “Se não podíamos usar uma blusinha de calor, como ele poderia usar uma camiseta com frases que considerava as mulheres um mero objeto”. Isto estava errado! Afirmou a estudante.
Diante de algo tão consistente o colega voltou para casa com sua blusa de frio cobrindo a camiseta. Mas a intervenção foi para que ele não a use novamente, mais que isso, entenda que combater o machismo não é questão de opinião, mas de respeito ao outro, respeito ao limite do corpo e da vida de outra pessoa.  

As meninas já fizeram algumas intervenções na escola, apresentações no pátio para os colegas, e conversas nas salas de aula, além de pesquisas para o projeto em si. Mas a maior vitória para o grupo até o momento é o fato de terem conquistado o direito de usar blusa de calor e bermuda nos dias mais quentes. Pode parecer pouco, mas é realmente revigorante sentir que fizeram parte de uma mudança, a alegria é simplesmente encantadora.

 O tema é amplo, envolve além de questões machistas a ordem dos direitos humanos, e questões do ECA, as integrantes se dizem a cada dia mais interessadas e motivadas, e as pesquisas e produção dos textos respaldam as atitudes em torno das questões.

Além dos muros da escola

“Na minha casa tudo está diferente”. Esta fala é de todas as meninas. “Depois que começamos a falar sobre os direitos das mulheres, começamos a ver as coisas de outro jeito”. Disse Micaeli com o apoio das colegas. Este comentário foi sem duvida o que gerou mais confusão durante a escuta, todas queriam falar ao mesmo tempo, como se um “mundo novo” se abrisse, e novas perspectivas fossem possíveis, e hoje todas elas tem certeza disso.  

“Eu questiono as pessoas, por que não concordo quando falam que algumas mulheres merecem ser estuprada por seu comportamento”. “Ninguém merece ser estuprada!” Afirma Sara que contribuiu para escrever um texto do TCA. “Eu defendo os nossos direitos, não podem culpar a mulher por tudo”.

As garotas Naiara, Karolina, Ana Camila, Bianca, Evelyn e Ariane falaram de alguns conflitos que estão acontecendo com mais frequência em casa, como assuntos relacionados as tarefas domésticas e de como isto tem sido problematizado. A Júlia contou como o futebol que tanto gosta de jogar passou a ser aceito de forma mais tranquila pela família, mesmo ainda sendo alvo de muito preconceito por parte dos meninos. Entre outras falas a Vitória, Beatriz, Amanda, Giovanna Alves, Samira, Giovanna Viana e Carine falaram também das questões de responsabilidades sexuais, e como isto ainda é um grande tabu quando se fala da sexualidade das meninas, é ainda algo “proibido”.

Seja na fala das mais tímidas ou das mais expressivas, cada uma a sua maneira se comporta como um grande caldeirão de ideias e abertura ao conhecimento, naturalmente prontas para aprender e ensinar com garra e vitalidade.  A finalidade do trabalho faz jus ao que se propõe, transformar a vida cotidiana através de pesquisas e estudos, e conscientizar os estudantes de que a sociedade somos cada um de nós.

As protagonistas do TCA Feminismo da Escola Sérgio Milliet parecem perceber e nos mostrar que a escola é muito mais que conteúdos a aprender, é troca, pratica e fonte de conhecimentos múltiplos, é o berço da sociedade e suas funções reais.

A professora Mariana, orientadora da turma, finalizou a visita com uma fala emocionante ao mencionar a importância da dedicação das meninas, e como é gratificante participar deste projeto que esta além dos muros da escola, esta na transformação de professores e alunos, e em viver a esperança enquanto colhe a cada dia seus resultados.





Texto por: Grazy Nazario. 



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