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quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

469 de Sampa

Aniversário de São Paulo!  



Hoje, 25 de janeiro se comemora mais um aniversário de são Paulo. A terra da garoa, que nem garoa mais tanto assim, o chão do trabalho, que já não oferta como antes, o gigantesco espaço em que o transporte público vive lotado, e as ruas cheias de carro sempre. A cidade de pessoas apressadas e cara fechada, mas que também conversa em qualquer lugar que tiver oportunidade. São Paulo é um brilhar na sua imensidão de contrastes.

Quem disser que não gosta de São Paulo, bom sujeito não é... Nasci e fui criada em são Paulo, cresci aprendendo a curtir e odiar o meu lugar, sempre imaginando para onde ir e o que fazer longe daqui. Então comecei a pensar sobre o que me faz sentir esta dualidade pela tão famosa terra da garoa e não vi tanta dificuldade.

Me arrisco a dizer que, perceber que o mesmo povo que botou de pé tantos prédios e construções, e tantas outras estruturas majestosas é o mesmo povo não tão “bem” recebido por aqui. Mas a loucura maior é ver que São Paulo não é só de um ou outro povo especifico, é uma mistura de todos os cantos e não apenas do Brasil, o mundo todo está aqui.

 Não posso deixar de falar sobre um diferencial já antigo da cidade aniversariante de hoje, sabemos que é possível pedir qualquer tipo de comida, por exemplo, o que você estiver pensando neste momento, não importa a hora que estiver lendo este texto ou ouvindo estas palavras, é possível, mesmo que demore um pouco, você vai receber o que deseja. Ou seja, existem pessoas trabalhando, inclusive na madrugada para atender a quem quer que seja. São Paulo é isso.

Mas me pergunto se não é um pouco cruel alguém não dormir para que isso aconteça, ou pior, que esta pessoa não seja remunerada para tanto. Vai ver que é por isso que chamam São Paulo a “terra do trabalho”, porque as pessoas trabalham o tempo todo, recebendo o merecido por isso ou não.

No entanto, apesar desses altos e baixos a gente ama São Paulo também, aqui tem os melhores roles, as melhores comidas e os paulistanos, paulistanas e paulistanes sangue bom se perdem nas gírias mais engraçadas e divertidas. Vale lembrar que aqui a diversidade existe sem rodeios, a parada gay gira um comércio gigantesco, mas acima de tudo as pessoas existem de verdade.

A bem da verdade, São Paulo é aquele coração de mãe que sempre cabe mais um, e vamos nos adaptando e vivendo como a “cidade” direciona, no caso, as pessoas que vivem nela. E que bom seria se todos daqui tivessem um lar e afeto digno de uma mãe carinhosa e com condições de oferecer tanto.  

Vir à São Paulo para conhecer ou morar deve ser também para apreciar os melhores museus e suas grandes exposições, concertos, musicais, baladas, restaurantes, operas, saraus, arte de todo o tipo, cultura e amor. Ah sim, os paulistanos e paulistanas também amam! Eu garanto.

Em sua maioria as pessoas amam aqui, não é sempre que estão dispostos, mas quase sempre com pressa, por isso não consigo dizer se é um amor verdadeiro, ou apenas um costume que se perdeu na correria do dia a dia entre o trabalhar, estudar, cuidar do corpo e da mente, etc e tals.

É importante dizer que: Muitas pessoas por aqui gostam de estudar política, possuem ética e se preocupam com as pessoas, e amam esta cidade. Mas amar também é dizer o que não está tão legal, assim como uma mãe preocupada faz com os filhos.

Hoje São Paulo completa 469 anos, e muitas pessoas ainda sonham em viver aqui.

Então responda com honestidade. A aniversariante vem sendo acolhedora contigo a ponto de ser possível cuidar de você e aproveitar o sonho de viver aqui? Você considera que o tempo fez bem para a São Paulo e para os seus moradores?

O que será do futuro da nossa cidade se não começarmos a observar e executar as mudanças que ela precisa agora?

Estas são apenas algumas das provocações diante da cidade de São Paulo e de seus moradores, que na verdade são quem tornam este lugar possível do jeito que é.

 

Quanto a majestosa aniversariante do dia, ela continua em forma, mesmo depois de ter passado pela maior pandemia dos últimos tempos, apesar dos tropeços, a pele está bonita e saudável, só é preciso dar uma atenção especial a sua saúde emocional que não está em dia, afinal ela é reflexo daqueles que a tornam real. Cuidemos melhor da cidade e ela cuidará de nós.   

Parabéns, São Paulo!


Texto por: Grazy Nazario. 

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Meu filho, minha vida

 Por muito tempo ouvi esta frase e confesso, nunca concordei com a carga que ela carrega, muito menos com o simbolismo trazido junto a algo definitivo e concreto, principalmente por se tratar de duas vidas, e não apenas de uma frase.




Desde a primeira vez que ouvi, e vale dizer que na época eu já era mãe, fiquei espantada e considerei um absurdo sonoro. A princípio pela “anulação” como mulher diante daquelas palavras, como se a vida de uma mãe, no caso, ou mesmo de um pai se resumisse em outro ser. Á primeira vista pode parecer afetuoso falar que a sua vida se resume na vida do seu filho ou filha, quer dizer que tudo estes pais fariam por esta criança, ou por este filho. Mas até que ponto fazer de “tudo” por alguém é bom?

Antes de prosseguir já adianto que, longe de mim dizer que devemos esquecer dos filhos, ou deixá-los de fora das nossas prioridades, temos deveres mínimos, isto é um fato. Além disso, como eu já disse em outros textos, a responsabilidade da criação de um outro ser está além de obrigação ou legalidade social. É preciso pensar em aprendizado, crescimento, troca de afeto, entre outras funcionalidades importantes de quando vivemos e passamos adiante a nossa “semente” de continuidade da existência.

Bem da verdade, filhos não precisam ser isto ou aquilo, podem ser vários sentimentos ao mesmo tempo, e é por este e outros motivos que a frase em questão é perigosa, e deveria estar fora da fala e da vida das pessoas. Principalmente por que é uma promessa que ninguém poderia cumprir, e de muitas maneiras.  

A começar pela realidade prática e racional. Quando você ou seu filho(a) morrer, o outro permanecerá, ele não é sua vida. Você é sua vida, e o seu filho é extremamente importante, enriquecedor, etc e tals. Mas ele é outro ser. O seu filho é uma parte importante da sua vida, mas não é o todo. Esta responsabilidade é uma idéia romântica que sobrecarrega psicologicamente os dois lados, limita ações, direcionamentos. Além de ser nitidamente mesquinho e egoísta.

 

 Outro lado de um mesmo fato


 Olhando por outro ângulo, quando você atribui toda a responsabilidade de suas escolhas em outro alguém, como se aquela pessoa te impedisse de realizar algo, automaticamente esta tirando esta responsabilidade de você. Neste caso, esta criança, que um dia será um adulto, ficará responsável por suas frustações e não realizações? Afinal, não existe nada mais certo quanto o tempo, e é certeiro que ele passa.  Que tipo de anulação seria justificável em condenar as próprias vontades, e transferir a culpa para alguém que não tem a mínima idéia do que está acontecendo?

Troca-se o desistir por transferir. Desistir de prosseguir em suas escolhas por si mesma, e transferir a culpa para a nova “vida”. Quando o correto seria viabilizar, pensar em possibilidades, fazer de tudo para permanecer em busca de suas realizações pessoais, e evitar sobrecarregar a si e a este outro ser. Planejamento e adaptações levam tempo, desistir é imediato.

Muitas pessoas ao ter um filho, planejado ou não, muda os rumos da própria vida, seja quanto a comportamento, profissão, visão de mundo e etc. isto é comum. No entanto, estas mudanças precisam ser de forma consciente, ou a tal idéia de “meu filho, minha vida”, poderá se virar contra a própria criança, que um dia crescerá, e certamente não fará o que os pais querem, por um motivo simples: trata-se de outro ser humano, com vontades, percepções, gostos e idéias próprias, que você ou ninguém poderá ou terá o direito de controlar.

 

Seres humanos, e a vida real

 

Logicamente que ao nascerem os filhos precisam de mais cuidados. É necessário sempre que alguém esteja perto, aos poucos, após os ensinamentos básicos e à medida que vão crescendo, eles precisam, literalmente, andar sozinhos. Os seres humanos precisam de muito tempo para se desenvolverem. Diferente de outras espécies, como os cachorros, cavalos, entre outros seres que já nascem andando e em poucos meses sobrevivem sozinhos normalmente. Seres humanos, demoram, no mínimo, dezoito anos para ter alcançado um patamar intelectual bacana para desenvolver e executar algumas funções.

Diante disso, temos um longo caminho de construção social, entre familiares, filhos e sociedade. Definitivamente somos seres humanos diferentes, com personalidades distintas, e apesar das semelhanças com os meus pais, me orgulho em dizer que tenho minha própria essência, e é bom ter certeza de que os meus filhos possuem a deles.

Já é desafiador o bastante transmitir valores, conceitos de viver em sociedade respeitosamente, considerando diferenças, sem deixar de validar a própria existência como algo importante. E mesmo diante de tantas explicações e argumentos, os nossos filhos podem, muitas vezes ter outra percepção de mundo, porque trata-se de pessoas diferentes de nós. E embora ter tido o prazer de acolher seus primeiros sorrisos, acalentar o seu choro, e acordar muitas madrugadas para cuidar da febre sem motivo aparente, isto não é garantia de nada. A troca é naquele momento, e só.

 

Conserve as suas crianças

 

Crianças são espetaculares, não apenas por sua inocência, capacidade de adaptação e flexibilidade, elas são também fortes, inteligentes e ativas. Quando falamos “conserve a sua criança interior”, é basicamente esta essência criadora e corajosa a qual nos referimos, e quem consegue isto é intimamente feliz.

Quanto aos seus filhos, criança ou não, o abrace, jogue os mais diversos jogos, seja no tabuleiro, ou no celular (deixe ele compartilhar o seu mundo eletrônico contigo), observe aqueles olhares inocentes de carinho.

São estes instantes que pertencem a você. Na sua memória, quando se lembrar daquela criança que tanto ama e que continuará a amar com o passar dos anos. Lembre-se de que você também já esteve naquele lugar, ali existe alguém, como já existia em você.

Tenha saudade sempre que quiser, não se culpe, e cuide da sua vida de verdade, você tem uma.

Para o dia das crianças, é desejável que deixemos que elas sejam crianças, inocentes, mas ainda responsáveis ao que lhes cabem. É desafiador buscar equilíbrio, mas é este o principal papel da família. Que seja possível permanecer em busca do que te faz feliz e te causa o riso. Não os culpe por seus erros, faça escolhas com eles, para eles e apesar deles.

Que você se permita ser feliz na vida que escolher. E os filhos, na vida que escolherem, com toda autonomia que merecemos, e a liberdade que alcançamos.

Minha vida, meus filhos e nossas experiências.  


Texto: Grazy Nazario. 

sábado, 17 de outubro de 2020

Quantos Robinhos você conhece?

 Casos como o do jogador Robinho não são diferentes de situações que conhecemos no dia a dia comum, não está distante de alguns homens que conhecemos. O jogador não respeita a palavra de uma mulher e não entendeu que ela precisa estar acordada para dizer sim ou não. Também não tem exemplos de justiça em casos semelhantes quando falamos de assédio, estupro, agressão ou qualquer outro crime de alguém em sua posição social. Aquela história de que o homem "pode tudo", além disso costuma encobrir os amiguinhos e as suas zoeiras, gosta também de se sentir o rei da noite fazendo "uso" das mulheres, como se a vontade delas não valessem.

O fato é que as questões de injustiças em relação as mulheres acontecem todos os dias, quando não se trata do roubo de algum objeto, não levam a sério o que ela tem a dizer, ela passa a ser o objeto da vez, e passará a ser questionada, não mais a vítima. Lógico que isso não é regra, existem sim pessoas sérias que trabalham em prol dos direitos de uma justiça real, existem também mulheres que se “aproveitam” de alguma situação para fazer algo contra o cara. Mas quantos casos são estes em relação a esmagadora maioria? E por que insistem em falar disso quando o assunto não é este? Sem falar que muitas vezes uma mulher que luta por seu direito e de seus filhos, como pensão alimentícia, visitas com cuidados em relação aos filhos também são vistas como “aproveitadoras”.

São muitos juízes no dia a dia e costumam condenar, sem demora a mulher da situação, nem analisam,  ou pensam por um minuto, previamente acreditam que a mulher “deve” ter culpa de alguma coisa. Cobramos das autoridades uma postura humana, e de bom senso em relação as mulheres, mas como isso é possível se as pessoas não conseguem enxergar além da sua habitual caixinha de apedrejamento de mulheres. Pensem, continuam a acreditar que temos que nos esconder e que os homens não são capazes de definir o certo e o errado,  muito menos assumir as consequências dos seus atos.

 Como fica então para a sociedade perceber além dessa facilidade de julgar e condenar pessoas pelo gênero, desde juízes, policiais, médicos, professores, etc.  Muitos foram criados por pessoas que acreditam que mulheres são objetos, ou que precisam ser retraídas para se protegerem, e repassam isto para as outras gerações sem questionar, estão entre nós em todas as profissões e gêneros. Está nítido que estamos vivendo hoje o resultado de conceitos absolutamente errados, com valores equivocados quanto ao que é ser mulher.

Não é incomum a gente ouvir de pessoas próximas trechos como ouvimos da conversa entre Robinho e seus amigos, infelizmente isto acontece muito. E quando sabemos de algo do tipo falam: Cuidado com estas caras, eles podem não ser legais. E quando questionamos as condutas deles nos dizem: Mas homens são assim mesmo, só não fica perto. O fato é que não tem como a gente saber que estamos rodeadas de escrotos, e não tem como a gente viver o tempo todo como se fossemos presas fáceis fugindo do lobo mau.

 Também queremos nos divertir, queremos poder sair para uma festa, beber pra caramba e não ser estuprada por isso. Queremos que as pessoas aprendam que NÃO É NÃO! Que homem não é assim ou assado porque existem leis, e nós somos seres humanos. Queremos que parem de fingir que não nos ouvem. Porque de um jeito ou de outro estupradores não passarão, seja por movimentos feministas, ou porque os patrocinadores viram que ia ficar muito feio.

É decepcionante notar que depois de todo o acontecido nos últimos dias diante deste caso, muitas pessoas não consigam entender o que está acontecendo e como isso prejudica as mulheres e pessoas num todo. O acusado veio a público falar sobre o assunto e não conseguiu reconhecer o que de fato fez de criminoso. As pessoas tiveram acesso aos áudios, mas querem tentar duvidar da justiça e da vítima, culpar a imprensa, o horário, e até as feministas. A culpa do estupro é do estuprador, no caso, estupradores. Compreendam, o movimento feminista não ataca homens, ataca criminosos.


Texto: Grazy Nazario. 

quinta-feira, 16 de abril de 2020

A influência do gênero na escolha da profissão

Você já parou para pensar que sua escolha de profissão pode ser influenciada por seu gênero? Entenda como essas questões influenciam sua escolha.



O quanto o gênero influencia na escolha da profissão?

O fato das mulheres serem atualmente a maioria nas universidades não é novidade, a cada dia é mais comum mulheres se organizarem para escolher uma graduação ou curso técnico ainda no ensino médio. Além do grande número de mulheres que retornam aos estudos após um longo tempo afastadas dos livros acadêmicos. São vários os motivos que as impulsionam para esta nova realidade, e aumentam as estatísticas de mulheres formadas no nível superior.

 A escolha de um curso universitário implica em muitos fatores na vida de qualquer pessoa; é lógico que nem tudo está ligado ao fator “gênero”, mas muitas situações sim. Entre as questões gerais, podemos citar o valor do curso, o tempo de duração, o mercado de trabalho, entre outras coisas que são primordiais na hora de escolher o que estudar. 

 Mas as mulheres tem algo além, o fato é que geralmente procuram uma área de atuação que tenha certa abertura profissional ao seu gênero, a insegurança quanto a sua vida pessoal e a profissional é algo que é considerado de maneira diferente para os homens.

 Afinal, não é qualquer carreira profissional que nos permite conciliar a dupla ou tripla jornada feminina já incorporada na sociedade como algo natural, na prática é mais difícil do que gostaríamos. Principalmente quando esta mulher já possui alguma responsabilidade financeira, ou quando é mãe, por exemplo, e as divisões de tarefas de ter um filho não acontecem de forma justa entre os pais da criança. Estes são apenas alguns exemplos de dificuldades ao conciliar estudos e vida pessoal, mas sabemos que o dia a dia está cheio deles.

 Em pleno século XXI salas de aulas de pedagogia estão repletas de mulheres, enquanto as de Tecnologia da Informação são predominadas por homens, por exemplo.

 Lembro-me bem de quando era criança, e de como não me entendia com a matemática e todos os seus cálculos e afins, e ao mesmo tempo amava Língua Portuguesa, História e Arte, era uma linda afinidade, distante das dificuldades que aconteciam com as exatas. No entanto, também me lembro de ouvir, inclusive de professores e professoras “menina não gosta de matemática”, possuem mais facilidades com isso ou aquilo, e assim também era com os meninos. Como se existissem fórmulas mágicas para enquadrar este ou aquele, e ai daquele que não se enquadrasse.

 Diante disso, até que ponto essas falas e afirmações nos influenciam nas afinidades ou preferências? Principalmente quando isso acontece por parte de pessoas ditas importantes em nossa formação social: como pais, parentes e professores.

 

Como escolher a profissão mais adequada a cada um?

É preciso considerar o cognitivo de cada um, suas facilidades de assimilação, habilidades, questões psicológicas, etc. Além de validar aspectos culturais, classe econômica, hábitos, crenças, entre outros. No entanto, existem outros meios que nos influenciam ainda na formação como pessoas, desde a infância com brinquedos e jogos divididos por gêneros. São brinquedos e brincadeiras “moldando” pensamentos e criando direcionamentos comportamentais de varias maneiras, sem nos atribuir real liberdade de escolhas e amplitude de possibilidades. E quando nos tornamos adultas vivemos a realidade preparada pelos brinquedos direcionados às mulheres.

 É claro que não é sempre que isso acontece, existem sim as meninas que curtem muito e se dão muito bem em cursos erroneamente chamados de “masculinos” e vice versa; não podemos generalizar nada. Mas quantas mais poderíamos ser, e de todos os lados? Como seríamos mais felizes e livres se isso não existisse na nossa construção como cidadãos e cidadãs. O parâmetro seria direcionado a todas as pessoas, e só, independente do gênero.

 O que mulheres e homens pensam antes da escolha de uma profissão não está errado quando avaliamos a realidade.  O mercado de trabalho já contrata homens para lecionar crianças?  Esta é apenas uma das explicações para as salas cheias de mulheres no curso de pedagogia. É importante ressaltar que o curso de Pedagogia é uma conquista recente, a formação antiga era o magistério, e que tempos antes carregava o nome de pajem, e função de cuidadora. O termo insinuando “cuidados” carregava a ideia de que apenas mulheres tinham habilidade para este tipo de responsabilidade, pois era considerado um “Dom” feminino.

 Atualmente o curso de pedagogia traz uma nova percepção da infância e aprendizagem, entretanto carregam em sua trajetória certos vícios antigos, é preciso quebrar este ciclo de repetições para que as pessoas de todo o núcleo educacional, e sociedade percebam e tenham ações de acordo com a nova realidade. No exemplo do TI as questões mudam de lado, será que apenas homens possuem habilidades com as maquinas e todo o universo que as envolve? É logico que não!

 Vencendo barreiras na escolha profissional

Neste sentido preocupa o que é preciso enfrentar dentro de nós para descobrir do que realmente gostamos, e por onde caminham nossas habilidades e preferências quando elas nos parecem “fora dos padrões”, ou do esperado considerando o gênero. Ampliar a visão social a partir de pessoas e não por homens ou mulheres é mais difícil do que parece, principalmente quando nos contentamos.

 O contentamento é complicado, pois quando pessoas bem resolvidas se destacam em determinados grupos nos dão a impressão de igualdade, já que existe alguém ali representando o gênero, no caso. Quando na verdade a maior parte das pessoas que não estão ali, nem pensou nesta possibilidade, simplesmente porque nunca foi apresentada a ela.

Não somente falas negativas, ou afirmativas, ou mesmo questões culturais nos impulsionam á certas áreas, é possível dizer que há um conjunto de situações que nos estimulam a determinados campos de conhecimento de forma automática, sem considerar sonhos ou realizações pessoais, e é inegável que fatores de gêneros estão entre estes motivos.

 É importante garantir que o conhecimento chegue ao maior numero possível de pessoas, que diferenças de gênero e sexualidade sejam realmente uma barreira ultrapassada em dias futuros.

 Pessoas possuem afinidades com este e aquele segmento, por uma série de coisas algo faz o nosso olho brilhar mais que outras, e isso é fato. O estudo precisa ser democrático em todas as áreas, a educação é a chave da libertação de todas as pessoas, e nada pode ser melhor que a oportunidade de ser e escolher o que se quer.

 

Texto: Grazy Nazario. 

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Feliz dia dos professores - Dias melhores e vitorias reais



Não é duvida que a maior parte são dos professores e professoras são engajados na profissão e estão neste lugar social porque amam. Claro que existe aquela pequena parcela que esta ali unicamente para manter seu sustento, ou por não ter se identificado com algo mais "lucrativo", mas ainda assim é preciso ter folego para se manter na ativa diante do que é ser educador.

Ser professor é mais que importante, é uma responsabilidade que poucos compreendem. Quando temos professores preocupados com os rumos da educação estamos diante de pessoas que enxergam além do seu próprio umbigo, além dos muros da sala de aula, são pessoas preocupadas com o futuro e com o espaço social como um todo, um professor consciente é uma dádiva para alunos e os espaços que os tem .

A grande população muitas vezes critica quando educadores se unem para exigir que a educação seja tratada com respeito, a mídia diz que querem salários melhores, e sim, claro que querem, é um trabalho como outro qualquer, que exige nível de graduação e especializações,  merecem o justo por suas qualificações.

É muito gratificante perceber olhos cativantes dos alunos (quando assim se fazem), mas é quase impossível se manter engajado diante de salários que não garantem a dignidade de qualquer cidadão, ainda mais quando falamos de pessoas que entre as suas atribuições desejam despertar jovens, crianças, adultos e idosos para o conhecimento e aprendizado, além disso, pouco ou quase nada se tem de reconhecimento por parte dos governantes e sociedade.

Dizem saber sobre esta importância, parabenizam, mas não os apoiam!

Hoje é o momento de olhar com outros olhos os profissionais da educação.

Professores e professoras são trabalhadores como todos os outros, almejam melhores salários e possuem, em sua maioria plano de carreira, pelo menos compreendem que precisam disso. Mas além disso, ficam grande parte do seu tempo com os "filhos todos", todos os os dias convivem com os filhos da nação e suas aflições do dia a dia, acompanham o crescimento pessoal de seus educandos, as alegrias e tristezas da realidade escolar. Não deveriam ser responsabilizados pelas condutas de seus alunos, mas muitas vezes são, como se fosse fosse possível fazer com quarenta cabeças pensantes aquilo que é difícil fazer com uma! 
Muitas vezes é visível certa ingratidão por parte de muitos, como se aquele que ensina não pudesse errar, e não estivesse também em aprendizado constante a cada dia... São seres humanos!

O salário dito pouco, é pouco mesmo, e menor ainda quando se pensa em suas múltiplas funções, lecionar é amor, mas não apenas isso, como em qualquer profissão é essencial manter pessoas saudáveis e de bem com aquilo que se escolheu para a própria vida. O ambiente precisa ser acolhedor com diretores, pais alunos e colegas, é preciso continuar a acreditar que a educação é o caminho da mudança, e com fé tornar estas mudanças possíveis.

Todos os dias alunos esperam caminhos para enxergar através da janela do mundo, e os professores esperam ver por seus alunos, que o mundo pode sim ser um lugar melhor.

Para agradecimento, à todos os meus professores que contribuíram para a minha formação até hoje nessa jornada que segue, a cada educador que me inspira desejo paz, alegria e coragem para prosseguir.

Feliz dia dos professores para tod@s que ainda acreditam em dias melhores, mesmo que para isso seja necessário muita luta e desobediência. O papel da educação é construir pontes, professor continue a construir as suas.


Guerrilha Feminina Deseja um Feliz dia dos PROFESSOR@S

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Precisamos falar sobre a Reforma da Previdência


O assunto previdência social à primeira vista soa como algo complicado e muito chato, porém passada esta primeira impressão vemos que ele é complexo sim, confuso talvez, mas não tem nada de chato. Aliás, me arrisco a dizer que este assunto deveria ser tão comentado quanto a final do campeonato de futebol da sua cidade, mas nem Corinthians, Flamengo, Grêmio ou qualquer outro time do planeta merecem atenção como aquilo que transforma diretamente a nossa vida. A previdência é a realidade de um futuro próximo, tipo amanhã, é o dia a dia de verdade, não se engane ao pensar que o futuro não chega, e o tempo não passa, ele corre!

 Quanto tempo se passou desde que você estudava no ensino médio? Parecia que o tempo não ia passar, não é mesmo? Lembre-se que iremos envelhecer, parafraseando Belchior, “Como os nossos pais”.

Gritar é “campeão” é maravilhoso, mas garantir os nossos direitos mínimos como trabalhadores nos possibilita continuar torcendo com saúde, dignidade e em vida. Alguns assuntos vistos como não tão agradáveis faz parte das batalhas da vida, e merecemos viver bem. A nossa vida financeira é ultra importante e deve ser tratada como prioridade, afinal, infelizmente a nossa juventude e disposição para o trabalho não serão eternas, muito menos o mercado de trabalho estará aberto para pessoas com qualquer capacidade reduzida. A cada dia a selva capitalista se torna mais selvagem, e precisamos cuidar uns dos outros.

A previdência social é uma conquista antiga dos trabalhadores, e a sua função não deve ser de “lucrar”, e sim “cuidar” dos contribuintes. Somos todos nós juntos, cada um em sua área com a sua mão de obra que “sustenta” toda a produção e serviços do país. Não se trata apenas de aposentadoria, também de cuidados gerais, como doença ou acidente, nestes casos, este fundo de reserva irá garantir que continuemos a viver dignamente.

Entre algumas situações sugeridas nesta reforma está o calculo de tempo e idade praticamente impossíveis de serem alcançados, sem contar que para aqueles que cumprirem as novas exigências e se aposentar, receberão 60% do seu salario. É a combinação de 62 anos (mulheres), 65 (homens) e contribuição (sem falhas) de árduos 40 anos para não receber o valor do seu salario integral. Dá pra acreditar?

Claro que é tentador ignorar que estamos sendo atropelados por políticas vergonhosas que não se importam com as necessidades do povo, dói menos não participar de alguns assuntos para não se sentir responsável pelos resultados. Mas até quando iremos fechar os olhos para o que nos prejudica? Vamos pensar que, a fatura do seu cartão esta vencendo, você sabe que não vai conseguir pagar o valor total, mas vai deixando, ignora a divida, finge que não é com você, e o tempo passa. O cartão fica com uma divida impagável, e pode se passar um, dois ou dez anos, de algum jeito você pagará por ela. O momento pede para agirmos como verdadeiros patriotas, e nos preocupar com o desenvolvimento do país e de sua própria condição de vida.  

Não dá para ignorar o que está acontecendo, e permitir que aprovem este desmonte de direitos, como se fosse correto mudar leis para burlar direitos. Políticos são eleitos pelo povo para trabalhar para o povo. Não finja que não é da sua conta, é o pãozinho de cada dia sendo tirado da nossa mesa.

Brasileiros e brasileiras, o nosso espaço de fala é com o nosso colega de trabalho, familiares e amigos, este país é nosso! Converse sobre isso, se informe, compare países que mudaram para este tipo de previdência e veja como está a população após poucos anos de reforma. O Chile, por exemplo, que sofreu uma reforma parecida conta com altos índices de idosos suicidas, ninguém quer viver a míngua depois de trabalhar uma vida inteira. Pesquise sobre a reforma, e entenda porque estão escondendo o valor do tal rombo da previdência. O conhecimento é a nossa melhor arma. Resistiremos!

Realizar uma reforma significa ajustar o que já existe conforme as mudanças que inevitavelmente acontecem, sejam mudanças sociais, financeiras entre outras. Isto é compreensível e aceitável, desde que respeite as pessoas, as necessidades de trabalhadores e trabalhadoras sem os tratar como maquinas. É preciso avaliar a real expectativa de vida e saúde desses contribuintes, considerando todos os aspectos de trabalho que exercem.

 A reforma da previdência como apresentada hoje é uma tentativa de impossibilitar as pessoas de se aposentar, ou ter qualquer proteção como trabalhador. Se você é trabalhador abra os olhos, a pressão popular é a única arma para nos defender da manipulação daqueles que continuam a enganar o povo. Se você é empresário, seja humano! A degradação dos trabalhadores e trabalhadoras não pode ser vista como beneficio em nenhuma hipótese.

Deixo aqui alguns links sobre os dados citados no texto acima, com a função de facilitar a informação e compartilhar estudos sobre o assunto. Também é possível simular o seu tempo de aposentadoria para qualquer pessoa por tempo e idade para uma simulação real, o resultado é assustador.


Texto por: Bell Braga.

Calculadora da Reforma da Previdência.

Links sobre a proposta de reforma.









sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Dicas de como evitar um relacionamento abusivo


Ao falar sobre dicas para evitar relacionamentos abusivos ou tóxicos, o primeiro comentário que eu ouvi foi: É simples, não se relacione!
Eu achei graça, realmente este seria um método infalível, as pessoas ficariam satisfeitas com o resultado, não teríamos feminícidio, agressões, cárcere, abusos, enfim tudo aquilo que já sabemos em torno do assunto, mas mesmo considerando este ponto de vista, pensei que seria melhor falar sério, já que estou falando de quem não desistiu de acreditar nas pessoas e nas questões do coração, afinal por que não acreditar que coisas boas existem e que pessoas podem se apoiar e contribuir umas com as outras? Portanto direciono esta fala à quem opta por se relacionar e tentar a sorte no amor e que a nossa existência e liberdade não dependa da “sorte” para ter sucesso, então façamos isso com o mínimo de segurança e racionalidade que a nossa vida, e integridade física e mental merecem.

Primeiramente é importante dizer que não importa a sua idade, ou o nível de experiência que você considera ter a partir de seus relacionamentos antigos, relações abusivas chegam sem avisar, devagar tomam espaço, ganham a nossa atenção de forma diferente do que realmente são. O envolvimento neste tipo de situação é algo quase imperceptível diante de olhos cheios de emoção e toda a ilusão social a qual somos expostas por toda nossa vida, é preciso estar atenta em algumas ações e comportamentos por parte das pessoas, neste caso toda informação e troca de experiências são válidas.

É importante dizer que não somente a relação amorosa pode ser abusiva, muito menos que apenas em relações heterossexuais, isso também acontece na relação entre pais e filhos, irmãos, amigos, e em outros tipos de relacionamentos, é necessário identificar o que de fato é um abuso, em que momento o que esta acontecendo vindo de outra pessoa está nos atingindo de forma negativa.  
Não importa o nível de sua relação, seja um lance, namoro, ficante, noivado, ou casamento, nem que seja alguém que você conheceu hoje, o respeito em relação a você e suas vontades é o minimo a ter com qualquer pessoa, e nada que aconteça depois que você disse "Não"precisa ser aceito, nada que você fizer considerando apenas o "Sim" de outra pessoa te fará bem, isso é abuso.


Vale lembrar que estas dicas foram retiradas do livro que está em processo de criação, elas são um pequeno resumo do que estarei falando neste novo trabalho.
Aqui teremos uma síntese a partir das pesquisas que realizei para escrever com propriedade de conhecimento sobre alguns cuidados que podemos ter para cuidar de nós mesmas, e assim evitar um possível relacionamento abusivo. Além de consultar diversos materiais em relação ao assunto, algumas pessoas foram entrevistadas, e acredite, evitei alguns relacionamentos que seriam um horror na minha vida, e assim também aconteceu com amigas de diversas idades.
 Muitas situações ruins foram evitadas, isso é muito bom!

Mas vamos ao nosso objetivo, as dicas.

Dica Nº 1  -   Cuide da sua auto estima


      É importante manter e cultivar seus amigos, pessoas que você gosta, e que você imagina que gostem de você, ou seja, pessoas de sua confiança. A carência afetiva tende a nos apresentar caminhos ruins, muitas vezes é a carência que nos torna "cegas" diante de algumas situações, assim não percebemos quando o comportamento de alguém esta nos atrapalhando ao invés de nos impulsionar e nos fazer bem.

        Dica Nº 2 -    Aprenda a observar




 A expressividade e espontaneidade são adjetivos que todas nós gostamos de preservar, é muito bom se comportar livremente ao lado de alguém que estamos conhecendo para um possível par. No entanto, é importante aprender a observar as pessoas com quem estamos nos envolvendo, e decidir por nós mesmas se ela é o tipo de ser humano que desejamos dividir a nossa intimidade. Pessoas violentas ou abusivas não se apresentam com uma placa de identificação, mas geralmente tendem a se conter o máximo possível. Observe. Quando estamos prestando atenção nisso, não conseguem por muito tempo, em algum momento o comportamento de hábito se mostra. Ao perceber sinais de privação, violência, ou intimidação na fase de "se conhecer" será mais fácil se desligar de um possível parceiro toxico, é melhor evitar. O mundo é grande e cheio de novas oportunidades, principalmente quando continuamos vivas e com saúde! Procure não se prender a nada que prive você da sua felicidade. 


3   Dica Nº 3 -    Ouça a sua intuição


    No livro eu falo muito disso, sobre o nosso poder de intuição, de sentir o bem e o mal nos rodear, acima das emoções e das carências da carne. É preciso apenas ter coragem de usa-las, ter fé e acreditar no poder que temos quando entendemos que somos capazes de escolher os nossos caminhos. Quando diante de uma situação sentimos aquela sensação de "Não continue", acredite que é verdadeira, é um alerta. Se ame, você é o mais importante, a sua integridade física, a sua vida.

 Dica Nº 4 -      Repare como ele trata as outras mulheres, e pessoas em geral


      Isso pode parecer tolice, mas é de extrema importância. É preciso observar tudo! Como a pessoa trata a mãe, a irmã, as outras mulheres e todas as pessoas que de alguma forma estão ou passaram por sua vida. É bacana reparar em como ele fala das exs namoradas, lembre-se que se vocês não engatarem um romance você será a próxima "louca" da vez, portanto evite falar mal da ex do cara, e deixa ele mostrar que tipo de pessoa ele é. Além disso, depois da fase inicial, ele será com você o mesmo que é com as outras pessoas.

5    Dica Nº 5-    Leia. Para saber evitar o abuso é preciso saber o que é isso

      É importante se informar sempre, as reflexões sobre a liberdade feminina são estudos recentes em relação a historia da humanidade, não foi sempre que a liberdade real pôde ser pensada e praticada por mulheres. Carregamos muito da criação dos nossos pais e avós, dos nossos antigos costumes e cultura enraizada, que em muito dificulta a aceitação verdadeira do novo, a mulher pode e deve ter o comando da própria vida e das suas escolhas, mas muitas vezes ainda não se deu conta disso, ou não sabe bem como fazer. 
      Saber sobre as nossas revoluções e conquistas ajuda a nos fortalecer, ilustra o quanto somos fortes e como podemos chegar aos nossos objetivos. Quando temos referências de vitorias de outras mulheres, tudo nos parece possível, e as coisas pequenas que nos negam apoio e admiração continuam a ser pequenas, não nos enganamos com bobagens porque sabemos que podemos mais.
      Entendemos na pratica que podemos tudo, que a nossa mente é brilhante e merecemos o melhor.         
      Assim, leia sobre mulheres, seus direitos em relação as leis do país, assista series, filmes, cultive o próprio conhecimento sobre pessoas, comportamentos e saberes diversos. Isso ajuda em tudo!
      
       Além disso, a arte tem outras finalidades, como quando no cinema, literatura, televisão, ou em qualquer linguagem artística vemos um relacionamento abusivo, é possível se colocar no lugar daquela pessoa, nos identificamos em muitos aspectos com os personagens, e a arte ganha a reflexão do seu expectador, e isso lhe garante força de enxergar atitudes e novos caminhos.
      Overdose de arte não faz mal! <3

      É preciso reconhecer o que é um relacionamento abusivo, entender que a sua opinião vale mais do que qualquer coisa, e que você deve aprender a guiar a própria vida, este é o preço e o beneficio da liberdade. 
Lembre-se que questões de comportamentos e hábitos são realmente difíceis de mudar, é preciso a pessoa reconhecer isso como um problema na vida dela, além de concentração, dedicação e força de vontade, e ainda assim é difícil. Para entender, pense em você quando quer mudar um comportamento que já decidiu que é ruim, não é fácil neh!

Por fim entenda que você não é a Madre Teresa de Calcutá ou nenhuma outra santidade, se trate da mesma forma que costuma tratar a quem você ama, salve a sua pele!
Confie no universo, algumas situações são inaceitáveis, procure enxergar as coisas como elas são para ser possível evitar o pior, enquanto as nossas leis e cultura ainda estão em constante transformações para nos livrar dos escrotos, vamos nos protegendo, não aceite o que te faz mal. 
Caia fora!



Texto: Grazy Nazario.

Grazy Nazario é escritora, professora e feminista. Publicou recentemente o livro "Mulher Fora da Vitrine", que retrata historias vividas por mulheres, é também autora do titulo "O voo do beija flor" de gênero poesias.
Atua em palestras sobre empoderamento feminino e igualdade de gênero em escolas, universidades e núcleos culturais.

Contatos para contratação de palestras ou adquirir alguma de suas obras:
E-mail: graziellenazario10@hotmail.com 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Nudes feminino. Mais empatia pelo caso de Luisa Sonza, e por todas mulheres



Em pleno século XXI falar sobre o próprio corpo ainda é um tabu, bem como nos aceitar em nossas  formas, limitações e transformações, existe a dificuldade de nos aceitar sob o comando de si. Seja em relação ao corpo, mente ou espirito, o problema não está nos “defeitos” ou “exposições não autorizadas”, o real problema está na mulher ser capaz de gostar de si, se resolver e se bastar antes de qualquer coisa para se fazer o bem, assim como deveria acontecer com todas as pessoas.

Não raramente surge na mídia vazamento de fotos como aconteceu com Luisa Sonza, recentemente a cantora teve fotos íntimas divulgadas sem a sua autorização em paginas da web.  Quanto a isso ser um crime sério e digno de punição não há duvidas, mas realmente incomoda perceber que continuam a nos atacar através de questões morais que criaram para nos privar de tudo, nada nos pertence no mundo do patriarcado.

Usam qualquer expressão de liberdade como uma degradação moral porque nos fazem acreditar desde sempre que o prazer é um pecado para a mulher, querem a nossa culpa, nosso pesar, a nossa ruína. Apenas os homens podem “pecar”, às mulheres resta ser um objeto para essas realizações. Luisa, como muitas outras não fez isso com a intenção de levantar uma bandeira de empoderamento, ou se dizer militante de algum movimento, é só liberdade diante do corpo, e a intimidade de qualquer pessoa não é da conta de ninguém, simples assim.

Nem ela ou ninguém precisa se justificar por ter tirado uma foto intima, isto não esta errado, errado é hackear, divulgar imagens sem autorização, fazer comentários preconceituosos. A foto de uma outra pessoa não interfere em nada na vida de ninguém, as pessoas não podem continuar a agir como se a sua opinião fosse algo a ser dito sem medida, aquilo que oprime, fere ou representa um xingamento não é opinião, é crime.  

Ao comparar a mesma situação com a foto de um homem, imediatamente a interpretação é transformada, homens e mulheres sempre se sensibilizam quando a vitima não é mulher. Homens não precisam ser perfeitos em todos os sentidos possíveis, é como se no ombro feminino coubessem todos os pecados do mundo. 

A questão não é o corpo nu ou seminu, a estética ou beleza, a questão é apenas expor de forma negativa a mulher e suas atitudes, tentar nos fazer sentir vergonha do que somos dentro de nós, na nossa intimidade, na hora que o nosso riso é livre, o nosso corpo nos pertence e a nossa sexualidade nos dá prazer. Sem pensar em qualquer coisa que nos incomode, na liberdade somos perfeitas, autoconfiantes e lindas! O problema é a dificuldade de nos ver livres!

Pessoas infelizes são incapazes de se perceberem livres, espalham as imagens ou se sentem bem em fazer comentários venenosos e cruéis, só pensam em apontar o dedo e julgar. Se esquecem de ter empatia, ignoram que aquela mulher sente vergonha da exposição, e da invasão de privacidade. Mesmo se houvessem punições severas para este tipo de crime isso não tiraria a sensação provocada por conta do que aconteceu. Então mulheres, por que tornar isso mais difícil do que já é?  Mais que punição aos criminosos, precisamos de consciência para os maldosos de plantão!

A Luisa reagiu bem, melhor que outras mulheres que já vi, jovens que se perderam em questões psiquiátricas ou psicológicas, algumas se suicidaram, outras se retraíram. Temos que lutar conosco em nossa intimidade a combater os medos que carregamos por ter nascido mulher, e para tornar tudo mais chato tem um povo escroto que consegue piorar tudo!

Bom que ela teve o apoio dos familiares, e do companheiro, e que conseguiu reagir bem por ela mesma, espero realmente que este seja o menor dos dramas, e que as nossas companheiras não tão famosas tenham semelhante força e empoderamento diante de casos como este.  A culpa nunca é da vitima,  a revolução feminina é transcender o gênero, queremos o mínimo, e o mínimo é tudo!


Texto: Grazy Nazario. 

domingo, 2 de setembro de 2018

Ariana Grande, um pouco sobre ser mulher


Ariana Grande é atriz, cantora e apresentadora, vinte e cinco anos, jovem, e Pop star. A biografia dela realmente não interessa, acredito na importância de dizer pra deixar bem claro que não existe distinção, preferencia, cor ou raça, falamos de gênero, sobre o que é ser mulher.

O assédio sofrido pela cantora norte americana Ariana Grande é o ato mais comentado da internet, talvez isso tem a ver com a fato do assediador ser pastor e estar em um funeral, por se tratar de uma pop star, ter sido gravado, ou por seus fãs terem tomado as dores da moça, enfim são muitas as variantes. O fato é que estamos falando influenciadores, pessoas que deveriam servir como exemplo de respeito entre as pessoas, mas se mostram seres desprezíveis, e incluo entre o pastor outras personalidades ali presentes.

 Mulheres são alvos. É assim que nos sentimos nas ruas, ou quando vamos apresentar um projeto, e a pessoa a avaliar é homem. São tantas idiotices que ouvimos para ser aceitas no mercado de trabalho, para mostrar o que somos como artistas e profissionais que chega a enojar. Noticias assim nos fazem ver que não estamos sozinhas, o abuso esta em todos os cantos do mundo e sem muitos disfarces, ele acontece como se fosse permitido, como se o melhor fosse fingir que não aconteceu, como se o medo devesse ser nossa eterna companhia.  

É chocante assistir a cena e ver a moça não saber o que fazer, naquele momento me lembrei de quantas vezes me senti daquele jeito, sem entender qual deveria ser a minha atitude. Afirmo que se você é mulher já sentiu isso em algum momento da sua vida ou em vários. Isso e coisas piores acontecem com muito mais frequência nas periferias, nos lares, nas grandes e pequenas empresas, naqueles lugares em que câmeras e microfones não estão disponíveis para oferecer provas de que não estamos loucas, para que nós mesmas não tentamos nos convencer disso.  

Ser mulher é não estar segura em lugar nenhum do mundo, não existe espaço para mulher ter voz e se sentir em paz, ter segurança em relação ao seu corpo e ao que ela é, seja no parque, nas ruas, bares, shoppings, no velório, na igreja ou em casa junto aos familiares. A liberdade feminina parece uma utopia. Vivemos aterrorizadas com o que o mundo criou para nós, e continua a cultivar. Não existe segurança, não querem nossa autoestima, não impulsionam nosso sucesso, somos o objeto. Pretendem que perdure infinitamente a reprodução de propostas que garanta o quanto somos objetos em qualquer lugar e de todas as formas, o outro sexo a mercê do que desejarem fazer.

Ariana não terá problemas financeiros para contratar advogados e ter quem lute por ela nesta causa em vias judiciais, assim torço para que aconteça. Mas e como ficam todas as outras? Distantes dos olhos do mundo, sem forças, ou o empoderamento necessário pra gritar e dizer NÃO toque em mim! A repercussão desse caso deve nos trazer á luz a realidade de cada dia, não queremos as suas desculpas Pastor, queremos que não seja canalha e que não reproduza a sua canalhice. Queremos que você mude a sua concepção do que é ser mulher (se é que isso é possível), e que passe isto adiante para que meninos e meninas aprendam a respeitar o outro como ser humano. Não queremos e não iremos conviver com nada diferente disso.

Mulheres não se calem, não encubram homens e seus feitos não consentidos. Roupa não é convite, sorriso não é permissão, intimidação não é paquera.  Não culpem a vitima, não reforcem o coro dos abusadores, e criminosos, não sejam coniventes com o erro, a vitima nunca é culpada. Somos nós por nós, se una ao inimigo é será a próxima vitima.  Se perceba como ser humano, ninguém tem o direito de te tocar, isto não é exagero, nem miimimi, esta é a lei. Se somos nós a cultivar os pensamentos, que eles sejam transformados a favor da liberdade.



Texto: Grazy Nazario.



sábado, 4 de agosto de 2018

Tatiane - Mais uma para as estatísticas. Será que é um exagero o que falam sobre violência contra a mulher?


É apenas mais uma. É assim que se faz para somar as estatísticas. Tatiane é mais uma que não teve “sorte”, e se uniu a um cara “mal”, alguém que não a respeitava, e não poupou a sua vida. Alguns tentam questionar, dizem não saber o que ela fez para aquilo acontecer, ou que foi uma fatalidade, tentam justificar o injustificável, e falham quando a verdade é uma só, eles não respeitam mulheres como serem humanos.

Então mais uma vez acabou Tatiane se foi, e Marias, e Anas, e tantas outras... Planos e sonhos se desfizeram por que outro alguém decidiu que seria assim, usou a sua força física contra alguém, cujo o gênero a estimula a ser “frágil”, enquanto ele cresceu aprendendo como fazer com que as mulheres fossem oprimidas, e encurraladas. Devem fazer a sua vontade.

Ao pensar no desespero dessa mulher a minha alma gela, me faz lembrar quantas mais somos nessa mesma situação, e como pensam em sair, e como se entregam em orações para que se livrem de seus opressores violentos. Tatiane é o retrato daquilo que tentam esconder todos os dias como se não existisse, mas que sabemos estar na vizinha, na prima, com a irmã, e conosco, é mais comum do que se imagina, e menos combatido do que deveria.

A tristeza maior é perceber que ainda não temos forças para ser maior que isso, para as denúncias assustarem, para eles temerem as autoridades mais do que nós os tememos. As nossas leis são fracas, e o barulho vem e logo passa, e então Tatiane é só mais um número, e qualquer uma de nós poderá ser o próximo.

Ser mulher é viver com medo, mesmo querendo lutar. Não queremos viver á base de nossa própria sorte, queremos viver bem por direito.

Que a sua morte não seja em vão, como tantas já foram.
Vamos aumentar as estatísticas dos agressores, antes que se tornem de mortes de mulheres. Esta sociedade não suporta mais feminícidios!
Disque: 180.


Texto Grazy Nazario.



quinta-feira, 21 de junho de 2018

Machismo legalizado - Copa Rússia 2018


A repercussão negativa do vídeo de brasileiros assediando uma mulher russa nesta Copa 2018 esta circulando o mundo, e levantando uma questão já anunciada por muitas mulheres há tempos, são reclamações  jamais ouvidas com atenção, mas que sempre nos incomodou. Aquela coisa do “mimimi” e de que “tudo agora é chato”, finalmente parece estar trilhando o seu caminho real, a exigência pelo respeito às mulheres como seres humanos parece chegar perto de acontecer. Ninguém quer ser tratado como o objeto de sua piada, ou servir de palco de humilhação e diversão para um grupo seleto, que de alguma forma se coloca em uma situação privilegiada. O mundo será chato para aqueles que não respeitam as pessoas, uma voz serão muitas vozes, e nada além do permitido será tolerado, doa a quem doer.  

Vale lembrar que atitudes assim eram comuns e bem aceitas até bem pouco tempo atrás, muitos jovens e adultos que acompanhavam programas como o pânico na tv e outros, que eram especialistas em depreciar qualquer pessoa, principalmente em objetificar e humilhar as mulheres. Quando consideradas “feias” eram ridicularizadas, quando “bonitas” objetificadas, logo não existe escapatória quando se é mulher, o seu destino é o desrespeito, é pedir migalhas por aceitar o que eles querem oferecer.

Dessa forma os “homens de família” se sentiam respaldados pelo machismo legalizado de todos os dias, desde aquela piadinha nojenta dita em suas rodas masculinas, até videos tranquilamente espalhados pelo mundo, para eles tudo é possível, ou era. Diante de tantos comentários contrários ao esperado pelos protagonistas da babaquice exibida na web, os misóginos confessos se dizem “vitimas” de exageros. Defendidos por uma minoria com frases do tipo “também não precisava tanto”, tiveram a sua vida profissional invadida, a vida pessoal exposta, os seus segredos de irresponsabilidade paterna anunciados  para o mundo, e se dizem dignos de pena.

Sendo didática, é bom lembrar que mulheres são invadidas dessa forma o tempo todo, como quando falam de sua genitália por simples exposição, vazam propositalmente vídeos ou fotos intimas. Para eles trata-se de uma genitália, e todo o conjunto esta ali para a diversão, seja como for, da forma que decidirem que deve ser. Isso justifica o uso da palavra “exagero” contra aqueles que reprovaram o ato, e toda a repercussão do caso. Talvez a maioria dos homens não perceba, ou não se importe, mas ser mulher é ser invadida sempre, seja por olhares, gestos ou julgamentos, e não apenas em questões sexuais. Somos apontadas, perseguidas e invalidadas. É como se fossemos eternas crianças incapazes, e a disposição do uso masculino.

O assunto que envolve esta questão é muito amplo e complexo, não caberia se estender por essas linhas mais causas, ou consequências. O fato é que agora a consciência nos tocou, e queremos o nosso espaço, exigimos o direito de ir e vir. A voz das mulheres esta sendo ouvida, esclarecendo e exigindo por todos os cantos do mundo, e isso acontece por que todas nós queremos uma coisa só, respeito. As punições irão acontecer de um jeito ou de outro, as mudanças são inevitáveis, não nos tratarão como se não existissem opiniões ou alternativas. Gostem ou não, a cada dia mais vozes falarão, ou mudem a postura, ou se mudem de planeta!




Texto: Grazy Nazario

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