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quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Quem é você na fila do pão?

 

Este é um bordão antigo, talvez seja cheio de significados e eu não tenho a menor idéia de onde tiraram esta frase, o que sei é que dá para viajar em suas variáveis definições, e não sei bem porque pensei que era exatamente o que eu sentia quando falava do momento atual do Brasil. 

Não precisa muito para imaginar que o assunto é política, sempre tem a ver com isso, como tudo no mundo, e em especial nas vésperas das eleições não seria diferente. O que dá para perceber quando olhamos um pouco de longe quem são as pessoas na fila do pão? Isso mesmo, pessoas comuns, buscando o pão de cada dia, mas quem de fato são essas pessoas, o que elas mudam no mundo e para si mesmas, e porque é tão importante elas saberem o seu lugar na sociedade?

Eu seria hipócrita se dissesse que se trata de pessoas sem valor, pois sou eu a primeira a dizer o quão valorosas são as pessoas e suas ações, e também sobre o poder de decisão de cada uma, e de como a autonomia é indispensável para se enxergarem do jeito que são: grandes e indispensáveis.

No entanto, muitos confundem isso com o tal “valor” diretamente ligado ao valor financeiro, como se fosse possível avaliar em espécie o valor de idéias, ações, enfim a vida de alguém. Entenda isso não é possível.

Quando apenas o lado financeiro é avaliado muito se perde, principalmente a analise filosófica da coisa toda, todo o valor se resume a dinheiro, e entende-se que quem não o possui não tem importância, logo, quem tem um pouco a mais se sente superior, e assim vamos “nos” classificando e se colocando em posições de classes, até que a classe social toma forma e quem tem mais está no topo da fama da “fila do pão”. Na verdade, vale ressaltar que quem tem mais não está na fila do pão, pois tem alguém lá por ela.

O fato é que todos que estão na fila do pão são trabalhadores(a) buscando o alimento, assim como a classe dos trabalhadores trabalha por seu sustento, não importa se você vai levar muitos pães, ou apenas dois pãezinhos, o fato é que se você trabalhar na bicicletaria do seu bairro ou na multinacional que fabrica bicicletas você estará vendendo a sua mão de obra, e você é da classe trabalhadora, ainda que tenha um salário 10 x maior que o rapaz da bicicletaria.

Eu assisti um filme uma vez (ou várias) que falava sobre essa coisa do trocar de classe, se chama “trocando as bolas”, o astro era o Eddie Murphi, aquele foi um dos filmes que deixaram claro para mim o que de fato acontece quando você é da classe trabalhadora, e como a mente de quem nunca precisou pegar a fila do pão funciona.

Não falaria jamais mal sobre a ambição e de possuir objetos de valor, que por algum motivo facilitam  nossa vida, é logico que ter dinheiro é bom, e consumir o que se deseja também. Mas até que ponto TER deve ser maior do que SER? Ser bondoso, respeitador, afetuoso, amoroso, generoso, humilde, sábio e etc. TER quando se fala em objetos apenas nos limita, e nos impede de enxergar além do material, e quando não existe equilíbrio entre o ter e o ser a pessoa passa-se a servir o dinheiro e não o contrário.

Pense o seguinte: Você está num deserto, com muito dinheiro, ouro, jóias e tudo mais de valor que exista fora dali. O que possui realmente de valor nessa situação? Ter dinheiro ou conhecimento que pode trabalhar a favor da sua sobrevivência e saída do local em si. Neste caso, com certeza você deveria deixar o que tem peso, e o saber é a única realidade que não pesa e ninguém lhe tira.

É este o valor que dedico a educação e tudo o que acompanha a evolução do ser humano, ter dinheiro e bens, e tudo o que ele é capaz de proporcionar é muito bom, mas sozinho, sem proposito não torna você diferente na fila do pão ou na sua própria existência. É preciso SER mais, para que o TER aconteça e a sabedoria acompanhe o que de fato vale a pena.

O meu sonho de saber é que TODAS as pessoas possam estar na fila do pão, seja com o carrão do ano, a pé ou de ônibus, a luta acontece para que ninguém fique sem seu sustento ou o seu pão de cada dia, e que de alguma maneira ninguém mais chore por sentir fome. Na fila do pão eu sou aquela que sonha e acredita que o bem pode vencer, e sonhos se realizar.  

Não podemos continuar a abastecer a fome de pessoas que não tiveram a mesma oportunidade para ter e manter o seu sustento, o egoísmo não pode vencer o amor, e o futuro é agora.  

Então eu pergunto: Quem é você na fila do pão?





Texto: Grazy Nazario. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

Mulheres na Política



Pensar em mulheres na politica ainda assusta, inclusive as próprias mulheres. Quando pensamos nas mulheres decidindo e pensando o que é realmente importante para a sociedade, é como se algo dissesse “ela não sabe o que esta fazendo”. As pessoas foram ensinadas a acreditar que apenas os homens possuem esta capacidade, e mesmo sabendo que isto não é verdade, a insegurança é implantada em cada uma das mulheres e reforçada a cada dia por homens igualmente inseguros. Mas a cultura diz que ele é capaz, que sabe e precisa fazer isto, se errar aprenderá com os erros, tudo esta em suas mãos. Isto vem acompanhado de um medo imensurável daquilo que elas podem fazer quando realmente se descobrem, e aprendem a usufruir daquilo que sempre fora ofertado aos homens, a liberdade do pensamento.

Diante da realidade política brasileira e mundial não é preciso falar em estatísticas, basta olhar o cenário politico, nos Municípios, Estados e no âmbito Federal. A diferença é vergonhosa, e as mulheres que conseguem se inserir na politica, através de muito apoio e trabalho, sentem dificuldades em fazer acontecer os seus projetos. Além das dificuldades comuns para todas as pessoas no campo político, existe algo a mais, ela é mulher.

Não existe empatia ou simpatia em relação as mulheres, quando você mostra competência eles te invejam, e sempre tentam de algum modo diminuir o seu feito, já que não foi ele quem fez. E quando algo se fundamenta como errado ou ruim é o fim do mundo em proporções gigantescas. É claro que isto também acontece em relação a outros homens, a competição sempre existiu, mas em relação a mulher cria-se uma espécie de sentimento de inferioridade, já que fomos, mesmo sem pedir, submetidos a ideologia de superioridade por parte dos homens. Sem contar o assédio, muitos homens realmente acreditam que as mulheres devem estar ali para “divertir” o lugar, e não trabalhar, ou quem sabe manter o ambiente higienizado para que eles façam o trabalho que lhes cabem com mais tranquilidade.

 A saída da presidenta do Brasil tem muito a ver com o machismo nosso de cada dia, mesmo que alguns demagogos digam que não, isto é muito óbvio, e eu ficaria aqui listando os milhares de motivos dessa verdade. A começar por decisões diferenciadas de seu antecessor, esta é uma das provas de que a sua politica é sim diferente, a sua objetividade não agrada aos velhos conservadores acostumados com a objetificação feminina, o que elas querem mesmo é trabalhar, mostrar serviço,  estão há séculos e séculos atrasadas na arte de decidir e criar. O desespero dos conservadores esta em perceber a rasa experiência e imensa competência e vitalidade das mulheres. O medo de que ouçam a sua voz é assustador.

Mesmo com as decisões femininas colocadas à prova ainda antes de serem escritas no papel, é como se o erro fosse inadmissível e o acerto não existisse, ela ainda permanece, cresce e conquista o seu espaço. Mesmo reconhecendo o fato de por muito tempo serem completamente excluídas das experiências que ultrapassasse o “ser mãe e dona de casa”, ela conseguiu se superar e, como todo ser humano buscar o seu lugar ao sol. Aprende a cada dia a decidir a partir daquilo que acredita, pois tem capacidade de pensar, agir e praticar escolhas.

As mulheres podem estar na politica de varias maneiras, se informando, discutindo ou se inteirando de assuntos sobre as necessidades do seu país, estado, cidade ou bairro, cada uma em sua dimensão e conhecimento conquista e mantém a sua verdade e expressão. Decidem e se redescobrem, se enxergam como algo além de Bela, recatada e do Lar.

Não precisam mais estar por detrás de um grande homem para ser uma grande mulher. Ela é uma grande mulher sozinha ou acompanhada. A busca das mulheres na politica esta em perceber as necessidades das pessoas a partir de sua sensibilidade, e conquista-las com sua força, reconhecer a sua capacidade ímpar, e caminhar ao lado daqueles que contribuem e respeitem esta realidade de forma natural.  

Mulheres na politica não esperam por privilégios, nem castigos, o justo contenta.  

Texto: Grazy Nazario.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Mulheres de Roma - Quando algo bom acontece é preciso reconhecer


É fato que o espaço para as mulheres está se abrindo, nada perto do que gostaríamos, mas é preciso admitir que mudanças estão acontecendo, mesmo que de forma lenta. Algo que ilustra bem o quadro que estamos é a noticia de que a cidade de Roma, na Itália será administrada por uma prefeita, isto, uma mulher foi escolhida pela maioria dos eleitores de Roma para comandar a bela cidade histórica. Uma das cidades mais conservadoras da Europa em relação as mulheres esta vivendo os ares da mudança, e isto é mais que belo, é transformador.

Assim que li a noticia lembrei-me de um momento especial que vivi. Foi uma vez que fui a uma palestra por acaso, e conheci a Marilena Chauí. Para quem não a conhece, trata-se de uma filósofa, professora da USP (Universidade de São Paulo) e escritora de obras sobre o tema. Logo de cara me apaixonei, afinal o mundo da filosofia é dominado pelos homens, e eu sou uma apaixonada confessa pelo assunto. Lógico que fiquei curiosa para saber o que ela poderia ter a dizer, e fiquei o mais perto que pude do palco, como uma criança ansiosa.

 Marilena destacou a posição atual da mulher no mundo contemporâneo, também mencionou a importância da filosofia na sociedade, e ilustrou de modo simples como o “amor ao conhecimento” é importante e fundamental para o crescimento da nação.

Em seguida nos contou uma história que tocou em minha alma, até me arrancar lágrimas involuntárias de emoção e dor.

Ela iniciou:

- “As mulheres de Roma são conhecidas por seu silencio... Segundo nos contam os registros históricos, durante o império Romano, as mulheres simplesmente não existiam. É claro que o sexo feminino era presente, afinal não é fácil imaginar o mundo sem mulheres. Mas tudo o que se sabe sobre elas foi o que alguém disse da forma que quis. No entanto, jamais saberemos o que essas mulheres sentiam, pensavam, ou sonhavam...”

Pensei naquelas mulheres e em como se sentiam diante da própria vida, fiz varias reflexões naquele instante e comparei com a nossa realidade, que diante do contexto atual não sofreu grandes transformações, uma vez que as mudanças foram acontecendo a partir de necessidades econômicas, entre outros fatores, mas pouco foi realizado em beneficio da mulher em si. Claro que algumas situações mudaram, mas nada perto da nossa utopia de simplesmente ser reconhecida como um “Ser Humano”.

Quanto a nova prefeita eu sorri ao pensar... Mulheres de Roma, agora vocês tem voz, e que bom que temos, e teremos a cada dia mais, e será sim possível viver e praticar as próprias escolhas e validar a própria existência a partir das nossas percepções. O mundo terá que ouvir a nossa voz, e o nosso sentimento e impressões não serão insignificantes ou inexistentes, mesmo que muitos ainda prefiram assim. Lutaremos por isso.

Espero estar viva para presenciar as transformações também no Oriente, onde tudo é mais difícil, porém não impossível, não temos medo da luta, temos medo de permanecer igual e não lutar por mudanças.

Mulheres de Roma, queremos ouvir a tua voz. Sejam bem vindas!


Texto por: Grazy Nazario. 


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